Oséias - A Fidelidade no Relacionamento com Deus
Categoria : (EBD) - Escola Bíblica Dominical
Publicado por Administração em 13/10/2012
Lição 2 - 4T/2012
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TV EBD - Oséias - A Fidelidade no Relacionamento com Deus - Ev. Luiz Henrique

1ª Parte - Lição 2 - 4T/2012



2ª Parte - Lição 2 - 4T/2012



3ª Parte - Lição 2 - 4T/2012



4ª Parte - Lição 2 - 4T/2012



5ª Parte - Lição 2 - 4T/2012






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Oséias - A Fidelidade no Relacionamento com Deus - Rede Brasil de Comunicação

Igreja Evangélica Assembleia de Deus - Recife / PE

Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais

Pastor Presidente: Aílton José Alves

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LIÇÃO 02 - OSEIAS - A FIDELIDADE NO RELACIONAMENTO COM DEUS

INTRODUÇÃO

O profeta Oseias é o primeiro dos doze profetas que estaremos estudando durante este trimestre. Nesta lição, destacaremos importantes informações sobre o profeta, seu livro, o contexto em que foi levantado para profetizar, seus contemporâneos. Veremos ainda que Deus utilizou-se de um fato real, o casamento e a traição sofrida pelo profeta Oseias por parte de sua esposa Gomer, para ilustrar a aliança e a infidelidade de Israel para com Ele; e que, apesar do cativeiro que sofreria como punição, seriam restaurados por causa do grande amor divino. Por fim, pontuaremos ensinamentos que servem também para a Igreja de Cristo.

I - INFORMAÇÕES SOBRE O PROFETA OSEIAS

1.1 Nome. O nome Oseias, do hebraico Hoshea significa “salvação”. Seu nome revela o propósito de Deus em levantá-lo como profeta, que é o de proporcionar salvação ou livramento a Israel (10 tribos do Norte), se ouvissem a voz divina e se arrependessem de suas más obras (Os 6.1-3). Não se tem muitas informações acerca da genealogia deste profeta, a não ser aquilo que o próprio livro nos revela que ele era filho de Beeri (Os 1.1).

1.2 Livro. Seu livro encabeça a lista dos profetas Menores. Ele contém 14 capítulos e está dividido em duas partes principais. A primeira trata-se da biografia do profeta que retrata a história de seu povo, na sua geração (Os 1-3). A segunda parte trata do mesmo assunto de maneira mais ampla e detalhada. Ele é considerado “o livro do amor de Jeová” e contém profecias sobre a restauração de Israel, no fim dos tempos. Ele é citado por nome no Novo Testamento em (Rm 9.25,26) e o livro em outras partes, como a profecia messiânica (Os 11.1; Mt 2.15) e também uma frase que tornou-se adágio popular (Os 8.7).

1.3 Período que profetizou. Segundo alguns estudiosos seu ministério durou cerca de 40 anos. Isso parece ser confirmado pelo próprio texto sagrado (Os 1.1), pois, a soma dos anos desses quatro reis de Judá citados nessa passagem bíblica são de aproximadamente 113 anos, e Jeroboão II que reinou 40 anos, em Israel (II Rs 14.23) entre (793-753 a.C). Portanto, se Oseias começou seu ministério no final do reinado de Uzias e alcançou os primeiros anos de Ezequias, fica claro que que ele exerceu seu ministério por um tempo prolongado.

1.4 Contemporâneos. O profeta Oseias viveu na mesma época que os profetas Amós (Am 1.1), Miqueias (Mq 1.1) e Isaías (Is 1.1). Eles formaram o quarteto do período áureo da profecia hebraica, entre (790 e 695 a.C). Oseias e Amós eram profetas do Reino do Norte (Israel-Samaria), enquanto Miqueias e Isaías exerceram seu ministério no Reino do Sul (Judá-Jerusalém).

II - A SITUAÇÃO DE ISRAEL NO PERÍODO DE OSÉIAS

Como já vimos, Oseias dirigira sua mensagem ao Reino do Norte (Israel-Samaria), e talvez ele fosse cidadão de Israel e não de Judá, devido ao profundo sentimento e conhecimento concernente a Israel. Sua mensagem é repleta de referências a lugares e eventos que somente alguém que pertencesse a Israel conheceria (Os 6.8), ou daria atenção a eles (7.1; 8.5,6; 9.15; 10.5; 12.5,12; 14.1). Ele dirigiu-se quase que exclusivamente a Israel, a quem 37 vezes chama de Efraim (2.1,2; 4.1,15; 5.1,8; 6.1,4; 9.1,5,7; 10.9,12; 11.8; 12.9; 13.4, 9-13; 14.1,8) e demonstrou relativamente pouca preocupação para com o Reino do Sul (Judá-Jerusalém), exceto quando o advertiu a não imitar o exemplo de Israel (6.4,11). Mas, como se encontrava o Reino do Norte na época em que Deus levantou o profeta Oseias para ser o seu porta-voz?

2.1 Situação política. Nessa época, estava reinando sobre Israel Jeroboão II (793-753 a.C), filho de Jeoás que foi o quarto rei da dinastia de Jeú. Seu longo reinado sobre Israel (quarenta e um anos) recebeu uma atenção relativamente pequena nos registros de (2 Re 14.23-29).

2.2 Situação social. Jeroboão II liderou Israel num período de muita prosperidade. A Assíria havia enfraquecido a Síria, que dessa maneira não representava mais uma ameaça para Israel. Por isso, Jeroboão II teve liberdade para executar uma agressiva expansão do seu território, conforme profetizado por Jonas (2 Rs 14.25). O Senhor usou esse governante para salvar Israel de anos de dificuldades e problemas (II Rs 14.27).

2.3 Situação espiritual. Infelizmente, a prosperidade do reino de Jeroboão II levou a muitos males, pois este rei não apresentava qualquer devoção a Deus. Do ponto de vista religioso ou espiritual, Israel descera ao degrau mais baixo. Eis abaixo alguns pecados cometidos pela nação:

Decadência do povo (Os 4.1);
Total falta de misericórdia (Os 6.4-11);
Depravação dos sacerdotes (Os 6.9);
Afastamento do Senhor (Os 7.1);
Indiferença e apatia espiritual (Os 7.8);
Confiança em deuses falsos (Os 8.1).
III - A MENSAGEM DE DEUS ATRAVÉS DE OSEIAS

Já vimos na lição introdutória que a palavra profeta deriva-se do termo hebraico nabbi que significa “falar” ou “dizer”; e do termo grego prophete, que significa “falar de antemão”. Portanto, o profeta é um mensageiro de Deus (Êx 7.1; Hb 1.1).

Quando aplicamos esta realidade a vida do profeta Oseias, o vemos com um ministério distinto, pois, antes de verbalizar alguma mensagem por meio dele, usando a famosa frase: “Assim diz o Senhor”, o mesmo recebe a mensagem de Deus para ele “Disse, pois, o SENHOR a Oseias” (Os 1.2-a), ordenando-lhe a transmitir, a princípio, a mensagem para Israel com a sua própria vida (Os 1.2-b).

3.1 Oseias casa-se (Os 1.2,3). A Bíblia diz que Deus ordenou o profeta Oseias casar-se com uma mulher prostituta (Os 1.2). O profeta não questionou a Deus e casou-se com uma mulher chamada Gomer, filha de Diblaim (Os 2.3). Mas, após unir-se a ela, ele testemunha sua infidelidade, quando a viu sair da sua casa para envolver-se com seus amantes (Os 3.1).

Oseias havia sido avisado de que a deslealdade da sua esposa seria um exemplo vivo para o adultério (idolatria) cometido pelo Reino do Norte. Como podemos ver, uma das metáforas mais comuns para descrever o relacionamento de Deus com Israel é o casamento (Ez 16.6-14), e a infidelidade matrimonial por sua vez exemplifica a idolatria (Jz 8.27; Jr 3.8; Ez 23.5; Os 2.5). Com Gomer o profeta teve alguns filhos, cujos nomes e significados são proféticos, pois apontam para sentenças que Deus faria contra o povo de Israel. Confira:

O primeiro filho: Jezreel. Significa (Deus espalhará), chamou-se assim porque o juízo de Deus estava sobre a dinastia de Jeú, pelo massacre em Jezreel (II Rs 10.1-14). Embora Deus tivesse mandado cortar a dinastia de Acabe, Jeú extrapolou o limite (II Re 9.10,36; 10.6).
O segundo filho: Lo Ruama. Quer dizer (desfavorecida), pois o Senhor não amaria mais a Israel, isto é, não demonstraria mais o favor da aliança (Os 1.6);
O terceiro filho: Lo Ami. Seu significado é (não-meu-povo), pois os pecados de Israel o tinham removido desse relacionamento (Os 1.9).
3.2 Oseias é traído (Os 2.2-13). Uma tragédia aconteceu no casamento de Oseias. Sua esposa o deixou e voltou a prostituir-se (Os 2.1-5). O tema central da mensagem deste profeta é a infidelidade de Israel à aliança, descrita como adultério (Os 4.10; 9.1). A reação humana normal a tal infidelidade é o divórcio, uma medida sancionada pela própria Lei, por ser uma transgressão tão séria (Dt 24.1-4; Mt 19.7-9). O rompimento da aliança no casamento do profeta com Gomer, retrata a quebra da aliança de Israel com Jeová por causa da desobediência (Os 6.7), e o divórcio, por sua vez, representa o exílio a que o povo estava sentenciado por haver transgredido o mandamento do Senhor (Os 11.1-7).

3.3 Oseias vai novamente em busca de Gomer (Os 2.14-23; 3.1-5). O profeta tinha razões de sobra para não chamar a sua esposa de volta para si. No entanto, a voz divina o impele a convidá-la a regressar (Os 3.1) e ele a adquire por preço (Os 3.2). Como podemos ver, a insistência por parte do profeta em amar Gomer, ilustra o amor persistente de Deus com o povo de Israel, que, embora houvesse pecado, caso se arrependessem, Deus os tornaria a receber porque estava disposto a renovar a aliança quebrada (Os 6.1-3). Aqueles que foram chamados Lo-Ruama (desfavorecida) agora seria Ruama (favorecida) e Lo-Ami (não-meu-povo) seria Ami (meu povo) (Os 2.1,23).

IV - PROMESSA ESCATOLÓGICA DE RESTAURAÇÃO

O Reino do Norte havia resistido aos fortes apelos de Deus por intermédio do profeta a reconciliação, o que resultou numa sentença amarga: o cativeiro pela Assíria em 722 a.C (Os 11.7). Tendo rejeitado a correção, estavam sendo destruídos pela “falta de conhecimento” (Os 4.6) e por esquecer de Deus (Os 2.13). No entanto, a promessa divina aos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó, de fazer uma aliança perpétua com eles e com seus descendentes, era a garantia de que o castigo não duraria para sempre (Os 1.10; Gn 22.17). Deus havia pronunciado o julgamento através do profeta (Os 2.6-13), porém, também anunciou a sua restauração, e que o Senhor graciosamente perdoaria a nação perversa e com paciência a atrairia para si (Os 2.14). Suas palavras finais ao povo são de esperança e não de julgamento (Os 14.4-8). O apóstolo Paulo também fez referência a essa restauração (Rm 11.25-32).

V - A ATUALIDADE DA MENSAGEM DE OSEIAS PARA A IGREJA

A mensagem da graça redentora está no coração do livro de Oseias (Os 4 a 14). O Novo Testamento destaca esse tema e cita os textos que esclarecem o significado do evangelho. Os apóstolos falam dos gentios como o “não povo” que se torna o povo de Deus e encontra a misericórdia salvadora (I Pe 2.10; Rm 9.25,26). Embora originalmente a maioria das profecias de Oseias tenham sido direcionadas ao povo de Israel, existem princípios nela contidos que servem de ensino para a Igreja de Cristo ainda hoje, tais como: Deus reprova o orgulho (I Tm 3.6; Tg 4.6); a idolatria (Mt 10.37; Lc 16.13; I Co 10.14; Gl 5.20; Cl 3.5; I Jo 5.21); e a amizade com o mundo que é vista como adultério (Rm 12.2; I Jo 2.15; Tg 4.4), pois requer que todos os seus servos O sirvam com fidelidade, obediência e santidade (Mt 7.21; I Tm 4.10; I Ts 4.3,4,7).

CONCLUSÃO

Como vimos, o relacionamento entre Oseias e Gomer descrito no livro deste profeta, serve de pano de fundo para retratar a infidelidade de Israel na aliança com Deus. Ainda assim, Deus, apesar de punir a nação, não a rejeita, mas mostra-se grandemente amoroso convidando-os ao arrependimento e prometendo-lhes restauração (Os 14.1-4). Ainda aprendemos que o conteúdo do livro traz para a Igreja de Cristo, valiosos ensinamentos que permanecem como doutrina, a fim de que permaneçamos vivendo em pureza e conservando a aliança com Cristo feita com seu próprio sangue (Mt 26.28; Hb 7.22).

REFERÊNCIAS

GARNER, Paul. Quem é quem na Bìblia Sagrada. VIDA
ELISSEN, Stanley. Conheça melhor o Antigo Testamento. VIDA.
SOARES, Esequias. Visão Panorâmica do Antigo Testamento. CPAD.
STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD
Publicado no site da Rede Brasil de Comunicação




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Questionário - Oséias - A Fidelidade no Relacionamento com Deus - Ev. Luiz Henrique

QUESTIONÁRIO DA LIÇÃO 2, OSEIAS, A FIDELIDADE NO RELACIONAMENTO COM DEUS

Responda conforme a revista da CPAD do 2º Trimestre de 2012

Complete os espaços vazios e marque com “V” as respostas verdadeiras e com “F” as falsas



TEXTO ÁUREO

1- Complete:

“Porque estou zeloso de vós com zelo de DEUS; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma __________________________ pura a um _______________________, a saber, a ______________________________” (2 Co 11.2).



VERDADE PRÁTICA

2- Complete:

O casamento de _____________________ ilustra a ____________________________________ de Israel e mostra a _______________________________ do amor de DEUS.



I. O LIVRO DE OSEIAS

3- Qual o contexto histórico do livro de oseias?

( ) O ministério de Oseias deu-se no período da supremacia política e militar da Assíria.

( ) Ele profetizou em Samaria, capital do Reino do Norte, durante os “dias de Josias, Josafá, Acaz, Ezequias, reis de Judá, e nos dias de Jeroboão II, filho de Joás, rei de Israel” (1.1).

( ) Ele profetizou em Samaria, capital do Reino do Norte, durante os “dias de Uzias, Jotão, Acaz, Ezequias, reis de Judá, e nos dias de Jeroboão, filho de Joás, rei de Israel” (1.1).

( ) A soma desses anos deve ser reduzida significativamente porque Jotão foi corregente com seu pai, Uzias, e da mesma forma Ezequias reinou com Acabe, seu pai.

( ) Esses dados fornecidos pelo profeta nos permitem datar o seu ministério entre 793-753 a.C.

( ) Jeroboão II, reinou 41 anos num período de prosperidade econômica, mas também de apostasia generalizada.



4- Qual a estrutura do livro de Oseias?

( ) A revelação foi entregue ao profeta pela palavra “dita a Oseias” (1.1a).

( ) A segunda declaração: “O princípio da palavra do Senhor por Oseias” (1.2a), reitera a forma de comunicação do versículo anterior.

( ) A ordem para Oseias se casar com “uma mulher prostituta” aconteceu no meio do seu ministério, como fica claro na ARA e na TB (1.2b).

( ) A ordem para Oseias se casar com “uma mulher de prostituições” aconteceu no começo do seu ministério, como fica claro na ARA e na TB (1.2b).

( ) Primeira parte do livro: É uma biografia profética escrita em prosa que descreve a crise do relacionamento de Oseias com sua esposa infiel, ao mesmo tempo que compara essa crise conjugal com a infidelidade e a apostasia do seu povo (1-3).

( ) Segunda parte do livro: Escrita em forma poética e se constitui de profecias proferidas durante um longo intervalo de tempo (4-14).


5- Qual a mensagem central do livro de Oseias?

( ) O assunto do livro é a apostasia de Israel e o grande amor de DEUS revelado, que compreende advertência, juízo divino e promessas de restauração futura.

( ) O assunto do livro é a apostasia de Israel e o juízo de DEUS revelado, que compreende advertência, castigo divino e promessas de destruição futura.

( ) Mesmo num contexto de decadência moral, o oráculo descreve o amor de DEUS de maneira bela e surpreendente.

( ) Seus oráculos são cheios de metáforas e símbolos dirigidos aos contemporâneos.

( ) Sua mensagem denuncia o pecado do povo e a corrupção das instituições sociais, políticas e religiosas das dez tribos do norte.



6- Onde Oseias é citado no Novo Testamento?

( ) Rm 9.25,26; Mt 9.13; 12.7; Mt 2.15.

( ) Lc 23.30; Ap 6.16.

( ) Mc 3.21; Jo 6.35; At 5.6



II. O MATRIMÔNIO

7- Qual a etimologia da palavra “matrimônio”?

( ) Os termos “casamento” e “matrimônio” são diferentes, mas ambos são usados para traduzir o grego bodas, que indica também “festa” (Jo 2.1,2) e “mácula” conjugal.

( ) Os termos “casamento” e “matrimônio” são equivalentes e ambos usados para traduzir o grego gamos, que indica também “bodas” (Jo 2.1,2) e “leito” conjugal.

( ) Trata-se de uma instituição estabelecida pelo Criador desde a criação, na qual um homem e uma mulher se unem em relação legal, social, espiritual e de caráter indissolúvel.

( ) É no casamento que acontece o processo legítimo de procriação (Gn 1.27,28), gerando a oportunidade para a felicidade humana e o companheirismo.



8- Qual o simbolismo do “matrimônio”?

( ) Essa figura é notada somente no Novo Testamento.

( ) A intimidade, o amor, a beleza, o gozo e a reciprocidade que o casamento proporciona fazem dele o símbolo da união e do relacionamento entre CRISTO e a sua Igreja.

( ) Essa figura é notada desde o Antigo Testamento.



9- Como foi a ordem divina para o casamento de Oseias? Complete:

Considerando a _____________________________________ do casamento confirmada em toda a Bíblia, a ordem divina parece contradizer tudo o que as Escrituras falam sobre o matrimônio. Temos dificuldade em aceitá-la, mas qualquer interpretação contra o caráter literal do texto é forçada. Quando Jeová deu a ordem, acrescentou: “porque a terra se prostituiu, desviando-se do SENHOR” (1.2b). Isso era literal. A infidelidade a DEUS é em si mesma um ______________________________________ espiritual (Jr 3.1,2; Tg 4.4), ainda mais quando se trata do culto a _________________________________, que envolvia a chamada _____________________________ sagrada (4.13,14; Jz 8.33).



III. A LINGUAGEM DA RECONCILIAÇÃO

10- De que forma é apresentado o casamento restaurado de Jeová e israel?

( ) O palácio foi o lugar do julgamento (2.3) e nele Israel achou graça, tal qual a noiva perante o noivo .

( ) O amor é o tema central de Oseias.

( ) Com ele, Israel será atraído por Jeová.

( ) O deserto foi o lugar do julgamento (2.3) e nele Israel achou graça, tal qual a noiva perante o noivo .

( ) A expressão “e lhe falarei ao coração” (2.14) é a linguagem de um esposo falando amorosamente à esposa.

( ) Nós fomos atraídos e alvejados pelo amor de DEUS.



11- Qual a simbologia do vale de Acor e a porta de esperança?

( ) Há aqui uma menção do monumento erguido no vale de Acor, onde Acã pagou pelos seus crimes e foi executado com toda a sua casa (Js 7.2-26).

( ) A promessa é que nesse vale a nação de Israel mais uma vez será castigado como mulher adúltera.

( ) A promessa é que esse vale não será mais lembrado como lugar de castigo.

( ) Será transformado em lugar de restauração (Is 65.10), cujas vinhas serão dadas “por porta de esperança” (2.15).



12- como é feita a reconciliação em Oseias?

( ) A sentença de divórcio (2.2) será decretada: “abandonarte-ei para sempre” (2.19).

( ) A sentença de divórcio (2.2) será anulada: “desposar-te-ei comigo para sempre” (2.19).

( ) O baalismo generalizado (2.13) virá a ser transformado em conversão nacional e genuína.

( ) Todo o povo servirá a Jeová em fidelidade, e cada um voltará a ter conhecimento do DEUS verdadeiro (2.20).



IV. O BANIMENTO DA IDOLATRIA EM ISRAEL

13- O que querem dizer as expressões: “naquele dia” (2.6, 18, 21), “meu marido” e “meu Baal”?

( ) A fórmula “naquele dia” (2.6, 18, 21) é teológica (Jl 3.18).

( ) A fórmula “naquele dia” (2.6, 18, 21) é escatológica (Jl 3.18).

( ) As expressões “meu marido” e “meu Baal”, em hebraico ishi e baali, são um jogo de palavras muito significativo.

( ) Marido - a palavra Baal significa “homem, marido, gentio” (Gn 2.24; 3.6);

( ) Marido - a palavra ish significa “homem, marido” (Gn 2.24; 3.6);

( ) Baal, ou baalim, no plural, quer dizer “dono, marido” (Êx 21.29; 2 Sm 11.26).

( ) Baal, ou baalim também é aplicado metaforicamente a DEUS, como marido: “Porque o teu Criador é o teu marido” (Is 54.5).

( ) A palavra “baal”, como “dono, proprietário”, aparece 84 vezes no Antigo Testamento, sendo 15 delas como esposo de uma mulher, portanto “marido”.



14- Como aparece nos escritos bíblicos o nome Baal para os fenícios e para os isarelitas?

( ) Como nome da divindade nacional dos Israelitas aparece 58 vezes, sendo 18 delas no plural.

( ) Como nome da divindade nacional dos fenícios com a qual Israel e Judá estavam envolvidos naquela época, aparece 58 vezes, sendo 18 delas no plural.

( ) Essa palavra se corrompeu por causa da idolatria e por isso Jeová não será mais chamado de “meu Baal”, mas de “meu marido” (2.16).



15- Como será o fim do baalismo?

( ) DEUS destruirá todos os ídolos da terra (Jr 10.11).

( ) Os ídolos desaparecerão da terra (Jr 10.11).

( ) Isso inclui os baalins, cuja memória será execrada para sempre, uma vez que a palavra profética anuncia o fim definitivo do baalismo: “os seus nomes não virão mais em memória” (2.17).

( ) Apesar de a promessa divina ser escatológica, esses deuses são hoje repulsa nacional em Israel.



CONCLUSÃO

16- Complete:

O emprego das coisas do dia a dia como ilustração facilita a compreensão da mensagem _______________________________, e a Bíblia está repleta desses recursos literários. O ________________________________ é o símbolo perfeito para compreendermos o relacionamento de DEUS com o seu povo, e do Senhor JESUS CRISTO com o ___________________________________________.





RESPOSTAS DO QUESTIONÁRIO EM http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm




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Oséias - A Fidelidade no Relacionamento com Deus - Ev. Luiz Henrique

Complementos, ilustrações, questionários e vídeos: Ev. Luiz Henrique de Almeida Silva

Veja também http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/oseias1.htm - Revista 2º Trimestre de 2002



TEXTO ÁUREO

“Porque estou zeloso de vós com zelo de DEUS; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a CRISTO” (2 Co 11.2).



VERDADE PRÁTICA

O casamento de Oseias ilustra a infidelidade de Israel e mostra a sublimidade do amor de DEUS.



LEITURA DIÁRIA

Segunda - Is 54.5 DEUS se apresenta a Israel como um marido

Terça - Jr 2.2 A união de marido e mulher é uma figura do relacionamento entre DEUS e Israel

Quarta - Mt 25.1 O Senhor JESUS compara o cortejo nupcial a sua vinda

Quinta - Sl 45.9-11 O resplendor do casamento real ilustra a beleza e a pureza da Igreja

Sexta - Hb 13.4 O casamento deve ser honrado por todos

Sábado - Ap 19.7 O encontro de CRISTO com a Igreja é comparado a um casamento



LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Oseias 1.1, 2; 2.14-17, 19, 20

Oseias 1.1 Palavra do SENHOR que foi dita a Oséias, filho de Beeri, nos dias de Uzias, Jotão, Acaz, Ezequias, reis de Judá, e nos dias de Jeroboão, filho de Joás, rei de Israel. 2 O princípio da palavra do SENHOR por Oséias; disse, pois, o SENHOR a Oséias: Vai, toma uma mulher de prostituições e filhos de prostituição; porque a terra se prostituiu, desviando-se do SENHOR.

Oseias 2.14 Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração. 15 E lhe darei as suas vinhas dali e o vale de Acor, por porta de esperança; e ali cantará, como nos dias da sua mocidade e como no dia em que subiu da terra do Egito. 16 E acontecerá naquele dia, diz o SENHOR, que me chamarás: Meu marido e não me chamarás mais: Meu Baal. 17 E da sua boca tirarei os nomes de baalins, e os seus nomes não virão mais em memória.

Oseias 2.19 E desposar-te-ei comigo para sempre; desposar-te-ei comigo em justiça, e em juízo, e em benignidade, e em misericórdias.

Oseias 2.20 E desposar-te-ei comigo em fidelidade, e conhecerás o SENHOR.



1.2 VAI, TOMA UMA MULHER DE PROSTITUIÇÕES. O relacionamento entre DEUS e Israel é freqüentemente comparado a um contrato matrimonial (e.g., Is 54.5; Jr 3.14; cf. Ef 5.22-32). “Desviando-se do Senhor”, a fim de adorar aos ídolos, Israel foi considerado por DEUS como um caso de infidelidade ou prostituição espiritual. O casamento de Oséias deveria ser, portanto, uma lição prática para o infiel Reino do Norte. Há forte probabilidade de que Gomer não fosse prostituta por ocasião do seu matrimônio, tendo posteriormente se voltado ao adultério e à imoralidade, talvez como prostituta no templo de Baal. Ao abandonar o Senhor, ela não somente foi levada à
adoração falsa, mas também ao rebaixamento dos padrões morais. Hoje se pode ver o mesmo padrão de vida imoral sempre que o povo de DEUS se desvia da genuína dedicação ao Todo-poderoso (ver Pv 5.3).

1.4 VISITAREI O SANGUE DE JEZREEL. O mais provável é que este versículo se refira à matança dos setenta filhos de Acabe, executada por Jeú (2 Rs 10.1-8). Embora fosse elogiado por ter trazido o justo juízo de DEUS à família de Acabe, Jeú portara-se com demasiada severidade (2 Rs 10.30,31).

1.4 FAREI CESSAR O REINO DA CASA DE ISRAEL. DEUS não demoraria para trazer juízo e destruição ao Reino do Norte. É provável que Oséias tenha vivido até ver cumprida esta profecia, em 722 a.C., quando os assírios conquistaram Samaria, deportaram cerca de dez por cento da população, e tornaram os demais habitantes parte de uma mera província assíria.

1.6 EU NÃO ME TORNAREI MAIS A COMPADECER. O nome “Lo-Ruama” (lit., “não é compadecida” ou “ela não recebe compaixão e amor”) significa que DEUS, em sua santidade, declarara ter chegado a hora de cessar a sua longanimidade, e acionar a sua justiça. O juízo finalmente teria de vir contra o povo pecaminoso e rebelde.

1.7 E OS SALVAREI. O Reino do Sul (Judá) não seria destruído na mesma ocasião que o Reino do Norte -(Israel). Em virtude de o rei Ezequias estar conduzindo sua nação pelo caminho da fé e do arrependimento, o Senhor os salvaria naquela ocasião (2 Rs 19.32-36; Is 37.36). O reino de Judá perduraria ainda por 136 anos.

1.9 NÃO SOIS MEU POVO. Acredita-se que o terceiro filho de Gomer, um menino chamado “Lo-Ami” (que significa “não meu povo”), não fosse de Oséias. O nome da criança simbolizava a quebra do relacionamento pactual em conseqüência da contínua rebeldia contra DEUS mediante a idolatria. O povo do Reino do Norte já não poderia esperar que DEUS o abençoasse e o livrasse de seus adversários. Oséias estava aprendendo, através de sua própria angústia, sobre como se achava o coração de DEUS por causa dos pecados de seu povo.

1.10,11 ISRAEL SERÁ COMO A AREIA DO MAR. A rejeição do Reino do Norte como nação separada não significava que DEUS se esqueceria de sua promessa a Abraão, Isaque e Jacó, a respeito da terra e da nação. Apesar de Israel haver pecado, DEUS restauraria o seu povo à condição de filhos. Ele reuniria as doze tribos para formar uma única nação sob um único líder. A promessa de reunificação anuncia o Messias vindouro.

1.11 GRANDE SERÁ O DIA DE JEZREEL. Jezreel significa “DEUS espalha”. E, aqui, tal nome é empregado num sentido ligeiramente distinto daquele que aparece no versículo quatro. DEUS espalharia o seu povo (v. 4), mas posteriormente o recolheria das terras para onde havia sido espalhado, e o semearia de novo na terra que lhe pertencia, assim como o agricultor esparge as sementes no solo devidamente preparado.



OS FILHOS DE OSÉIAS - Oséias 1.4-9 - “Mensagens de Deus aos rebeldes”

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho (http://www.isaltino.com.br/2010/12/os ... us-aos-rebeldes%E2%80%9D/)

INTRODUÇÃO

Oséias teve três filhos, cada um com nome simbólico. Jizreel, Lo-Ruama e Lo-Ami. Cada um trazia uma mensagem de Deus ao povo. E que serve para nós. Vejamos.

1. COMO OS FILHOS ERAM - O JUÍZO DE DEUS

(1) Jizreel (1.4). Primogênito. “Deus semeia”. Era o nome da cidade onde Jezabel, a idólatra sanguinária foi morta: 2Reis 9.30-37 e 2Reis 10.1-11. Este nome evocava juízo. Jizreel: onde Deus julgou os idólatras. A menção do nome do menino ensinava às pessoas o juízo. A lição: Deus trataria a nação como idólatra.

(2) Lo-Ruama (1.6). “Não compaixão”. No hebraico não havia a preposição “sem”. O “não” fazia esta função. A menção do nome da menina ensinava que Deus deixaria de lado sua compaixão. Deus julgaria Israel como se fosse uma nação idólatra, sem compaixão. A lição: Deus pode suspender sua compaixão.

(3) Lo-Ami. Em 1.8. “Não meu povo”. Este era o caçula. Deus julgaria Israel como se fosse uma nação idólatra, e sem compaixão, porque não era seu mais povo. Ele estava rejeitando o povo. A lição: os pecados do povo haviam esgotado a paciência de Deus.

Três filhos, três lições. Guardemos isto: O pecado nao passa despercebido diante de Deus.



2. COMO DEUS QUERIA QUE OS FILHOS FOSSEM - O CHAMADO DE DEUS

Ami e Ruma (2.1). Deus diz a Jizreel (personagem citado em 1.11) que seus irmãos serão chamados Ami (”Meu povo”) e Ruama (”Compaixão”). Ele quer tratar seu povo como seu povo e quer ter compaixão. Oséias era de Israel, o grupo separatista e apóstata (1Rs 12.16), que rejeitou a liderança da casa de Davi. É o único profeta escritor de Israel (os demais eram de Judá, o Sul). Israel era desviado, mas Deus queria tê-lo como povo e tratá-lo com compaixão. Ele tem compaixão dos errados e quer tratá-los como filhos. A lição: Deus tem grande compaixão. Muito maior que sua ira: Salmo 30.5.



3. COMO DEUS RESOLVEU A QUESTÃO - AÇÃO DE DEUS PELO SEU POVO

Em Jesus Cristo. Em Jesus ele trata os homens como filhos: João 1.12. Em Jesus ele nos trata com graça (compaixão): João 1.17. Em Jesus ele nunca nos rejeita: João 10.27-29. Nunca nos deixará: Mateus 28.20. Não quer dizer que podemos fazer o que quisermos, mas que seu amor nos constrange (2Co 5.14) a uma vida santa. O salvo busca agradar a Deus, por isso foge do pecado (1Jo 5.18). No NT, ele mora em nós, pelo seu Espírito, e nos fortalece para não imitarmos Israel. A lição: Jesus nos manifesta todo o amor de Deus, e remove seu desgosto para conosco: Romanos 8.1 e 34-35.

CONCLUSÃO

Os filhos de Oséias mostram que Deus investiu em Israel, e que este o frustrou. Ele não desistiu. Investiu mais, dando Jesus. A igreja, livre do poder do Maligno, pode viver como Israel não viveu. Ele nunca nos rejeitará. Seremos sempre seu povo e ele sempre nos tratará sempre com compaixão. Que nunca o decepcionemos.



À MESA COM OSÉIAS - INSTRUMENTOS DE DEUS

Quando o Senhor começou a falar por meio de Oséias… (Os 1.2)

A BOCA QUE TORNA a Palavra audível pode ser humana (às vezes pode ser animal, como no caso da jumenta de Balaão), mas a Palavra é de Deus e não do homem. Deus fala por meio de Oséias, por meio de Ageu (Ag 1.1), por meio de Malaquias (Ml 1.1). Por meio dos cinco profetas maiores e por meio dos doze profetas menores. Mas, desde os tempos remotos até hoje, nem todos que se dizem profetas falam da parte de Deus. Esse é um dos problemas mais complicados da história do povo de Deus, da história religiosa.

É loucura deixar de ouvir um profeta por meio de quem Deus fala. É loucura dar ouvidos à voz de um profeta por meio de quem Deus não fala. Há profetas verdadeiros e profetas falsos. O profeta verdadeiro pode ser um

homem simples, mas fala da parte de Deus. O profeta falso pode ser um crânio, mas não fala da parte de Deus. É o tal dilema entre o trigo e o joio, que exige uma dose muito grande de responsabilidade da parte do ouvinte.

Geralmente o falso profeta fala aquilo que queremos ouvir e não aquilo que precisamos ouvir.



Nunca mais vou ouvir a voz de um profeta que se coloca aos meus pés para me servir!



POR CAUSA DO MASSACRE

Castigarei a dinastia de Jeú por causa do massacre ocorrido em Jezreel (Os 1.4)

O MASSACRE OCORREU lá pelo ano 841 antes de Cristo. Foi massacre mesmo. Jeú fez muito além do que era para fazer. Ultrapassou os oráculos de Elias (1 Rs 21.21-24) e a ordem de Eliseu (2 Rs 9.7-10). Em Jezreel, “Jeú matou todos os que restavam da família de Acabe […], bem como todos os seus aliados influentes, os seus amigos pessoais e os seus sacerdotes, não lhe deixando sobrevivente algum” (2 Rs 10.11). Depois, o rei de Israel ainda matou 42 parentes de Acazias, rei de Judá, em Bete-Equede dos Pastores, e muitos outros em Samaria (2 Rs 10.12-36). O pior é que Jeú não era coerente: eliminou a adoração a Baal, mas manteve a adoração aos bezerros de ouro (2 Rs 10.28,29). O fim da dinastia de Jeú aconteceu no trigésimo nono ano do reinado de Uzias, rei de Judá (752 a.C.), cerca de 110 anos depois do fatídico massacre e pouco depois da profecia de Oséias. Nesse tempo, um tal de Salum derrubou Zacarias, o último descendente de Jeú, e tomou posse do governo de Israel (2 Rs 15.8-16).



Obrigo-me a fazer a medida certa da vontade de Deus; nem menos nem mais!



O ARCO QUEBRADO

Naquele dia quebrarei o arco de Israel no vale de Jezreel (Os 1.5).

QUANDO A PEÇA DE MAIOR valor se quebra, ficamos de pés e mãos amarrados. A peça de maior valor, a peça imprescindível, varia de uma pessoa para outra, de uma época a outra, de uma circunstância a outra. Pode ser uma atiradeira, um conjunto de arco e flechas, uma espada, uma espingarda, um revólver, um lança-bombas. Como também pode ser uma dentadura, um veículo, um celular, um notebook. Qualquer apetrecho experimentado e continuamente usado, quando é quebrado, gera insegurança e até pânico. Significa perder o imperdível. Oséias se fez entender quando ameaçou: “Naquele dia quebrarei o arco de Israel no vale de Jezreel”. Logo no vale de Jezreel, onde o arco de Israel havia provocado o famoso massacre de muitas dezenas de pessoas relacionadas com o rei Acabe. Nessa hora de arco quebrado, de dentadura quebrada, de carro quebrado, de celular quebrado, Deus nos deixa vazios, indefesos, humilhados e estáticos. Então começa a hora e a vez dele!



Não farei minha segurança girar em torno de meros apetrechos quebráveis!



AMOR E PERDÃO

Não mais mostrarei amor para com a nação de Israel, não a ponto de perdoá-la (Os 1.6)

QUAL É A RELAÇÃO entre amor e perdão? O que vem primeiro, o amor ou o perdão? Em todos os casos, o perdão só é possível por causa do amor. Quando o amor se esgota, o perdão não tem a menor chance. Se o nível do amor de Deus abaixasse, a disponibilidade do perdão também cairia. É isso que o profeta Oséias quer que a nação entenda. Esse mecanismo é de conhecimento público por causa do versículo mais conhecido e amado da Bíblia: “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). Deus só “arrepende-se, e não envia a desgraça” porque é “cheio de amor”

(Jl 2.13; Jn 4.2). Ele é misericordioso e compassivo e muito paciente porque é cheio de amor. Jesus jamais faria a oração “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que estão fazendo” (Lc 23.34), referindo-se aos seus algozes, se não tivesse profundo amor por aquela turba que o maltratava e zombava dele.



Àquele que me amou e perdoou, devo o maior respeito e a maior devoção!



NÃO PELO ARCO

Eu lhe concederei vitória, não pelo arco, pela espada ou por combate […], mas pelo Senhor, o seu Deus (Os 1.7).

ERA UMA TAREFA dificílima convencer o povo eleito de que a vitória viria não por esforço puramente humano, mas pela intervenção de Deus, ora por meios naturais ora por meios sobrenaturais. Todos os profetas gastaram

muita saliva para deixar isso suficientemente claro. A salvação tem como ponto de partida o amor de Deus: “Tratarei com amor a nação de Judá”. E se torna viável e concreta porque Ele concede vitória, “não pelo arco, pela espada ou por combate [ou ‘pela guerra’], nem por cavalos e cavaleiros, mas pelo Senhor, o seu Deus”. Não era para o povo insistir na idéia de salvação por força nem por violência, mas pelo Espírito de Deus (Zc 4.6), por causa dos antecedentes históricos que ele mesmo recitava: “Não foi pela espada que [nossos antepassados] conquistaram a terra, nem pela força do seu braço que alcançaram a vitória; foi pela tua mão direita, pelo teu braço, e pela luz do teu rosto” (Sl 44.3).



Deponho as armas e renuncio à guerra e à violência: vou confiar no braço do Senhor!



ALGUM DIA O SOL NÃO NASCEU?

Tão certo como nasce o sol, ele aparecerá; virá para nós como as chuvas de inverno (Os 6.3)

ALGUM DIA O SOL não nasceu? Algum dia a noite durou mais de 12 horas? Assim é o Senhor. Ele esconde o seu rosto só por um momento: “Tão certo como nasce o sol, ele aparecerá; virá para nós como as chuvas de

inverno, como as chuvas de primavera que regam a terra”. Pode demorar um pouco, até mais do que gostaríamos, mas virá! O Senhor não tem o hábito de marcar datas… Ele não marca a data de suas muitas voltas particulares nem de sua volta especial, “com poder e grande glória” (Mt 24.30). Com Ele vem as chuvas há tanto tempo necessárias e esperadas. Chuvas para desfazer os torrões, a seca, a poeira e a sede. Chuvas para trazer de volta o verde, a sombra, o mato, as árvores, as flores, os frutos, o perfume do eucaliptal, os riachos, as cachoeiras, as aves do céu, a justiça, novos céus e nova terra e o bendito refrigério da alma cansada, exausta e ansiosa. As

chuvas que vêm com o Senhor enchem as nossas cisternas vazias (Sl 84.6)!



O Senhor será o meu pastor para sempre, pois é Ele quem me conduz a águas tranqüilas!



A NEBLINA DA MANHÃ

Seu amor é como a neblina da manhã, como o primeiro orvalho que logo evapora (Os 6.4)

NÃO É SÓ A MULHER que reclama do amor do marido. Não é só o marido que reclama do amor da mulher. Não é só a mãe que reclama do amor da filha. Não é só a filha que reclama do amor da mãe. O Senhor também reclama do amor humano: “Seu amor é como a neblina da manhã, como o primeiro orvalho que logo evapora”. Não é a única vez que Deus cobra amor de Israel ou da igreja. Ao pastor da igreja em Éfeso, Jesus escreveu: “Você abandonou o seu primeiro amor” (Ap 2.4). Que diferença há entre nenhum amor e amor tão efêmero como a neblina? Sobretudo se comparado com “a largura, o comprimento, a altura e a profundidade” do “amor de Cristo que excede todo conhecimento” (Ef 3.18,19)?

O assunto é muito sério já que o maior mandamento da lei de Moisés é: “Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento” (Mt 22.37). E não como a neblina da manhã.



Prometo exercitar o meu amor pelo Senhor para que eu o ame como Ele me ama!



MEMÓRIA COMPRIDA

[Efraim e Samaria] não percebem que eu me lembro de todas as suas más obras (Os 7.2)

TRÊS VEZES O Senhor declara que não se esquece dos pecados de Israel (Os 7.2; 8.13; 9.9). Aí está uma situação que exige reflexão. Pois em outras passagens encontra-se uma declaração exatamente oposta a esta. Em Isaías está escrito: “Sou eu, eu mesmo, aquele que apaga suas transgressões, por amor de mim, e que não se lembra mais de seus pecados” (Is 43.25). Em Jeremias também lemos: “Eu lhes perdoarei a maldade e não me lembrarei mais dos seus pecados” (Jr 31.34). Afinal, Deus tem memória curta ou memória comprida? Os textos não se contradizem. Deus só se esquece quando perdoa e só perdoa quando há arrependimento. Deus quer que Efraim e Samaria percebam que Ele não se esqueceu de seus pecados recentes. Eram ainda problemas pendentes, não resolvidos. Embora acentuadamente graves, os pecados cometidos por eles ainda não tinham sido localizados, admitidos, confessados e abandonados. Em situações assim, a memória de Deus é necessariamente comprida e não curta!



Não permitirei que o pecado já confessado me venha à lembrança e me atormente!



O BOLO QUEIMADO E CRU

Efraim é um bolo que não foi virado (Os 7.8)

QUE DENÚNCIA inteligente: “Efraim é um bolo que não foi virado”. O povo de Israel não presta para nada. De um lado está cru; do outro, está queimado. É como o sal que perde o seu sabor: “Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens” (Mt 5.13). O padeiro perdeu a farinha, perdeu os ovos, perdeu a manteiga, perdeu o tempo e perdeu a confiança de seus fregueses. Foi um desperdício total. Todos os que pendem para um lado só são como Efraim, “um bolo que não foi virado”. Quem não acha o equilíbrio e não se compromete com ele, mais cedo ou mais tarde será semelhante a um bolo queimado e cru. Os que são empolgados na oração e reticentes na ação ou vice-versa são como Efraim. Os que são empolgados na ortodoxia e reticentes na espiritualidade ou vice-versa são como Efraim. Não vale a pena ser como Efraim. É preciso virar o bolo na hora certa para ele não ficar queimado de um lado e cru do outro.



Não vou me permitir o destempero religioso que pode me tornar fanático.



RAIZ SECA

Efraim está ferido, sua raiz está seca, eles não produzem frutos (Os 9.16)

TODAS AS VEZES que o livro de Oséias menciona o nome de Efraim não se refere a uma pessoa, ao filho de José, mas a uma das doze tribos de Israel. Por ser a principal tribo do reino do Norte, o nome Efraim quase sempre

diz respeito ao país inteiro. Além de estar com os seios ressecados (Os 9.14), a raiz de Efraim também está seca (Os 9.16). O adjetivo seco lembra expressões desagradáveis e incômodas, como árvore seca, erva seca, espiga seca, ossos secos, pão seco, rio seco e terra seca. Agora Efraim sofre de ventre seco, seios secos e raiz seca. A nação está em maus lençóis. O que se pode esperar dela se sua raiz está seca? Se está seca é porque rompeu com Deus, deixou de procurá-lo, distanciou-se dos rios subterrâneos cheios de água viva. Efraim deixou de ser aquela “árvore plantada junto às águas e que estende as suas raízes para o ribeiro”. Uma árvore assim não teme o calor nem deixa de dar fruto mesmo no ano da seca (Jr 17.8).



Serei como árvore plantada à beira de águas correntes, cujas folhas não murcham!



RESUMO DA BEP EM CD - CPAD - (BEP - Bíblia de Estudo Pentecostal)

Esboço
Título (1.1)
I. O Casamento de Oséias Ilustra a Infidelidade de Israel, e a Rejeição e Restauração
da Nação (1.2-3.5)
A. O Casamento com Gomer (1.2)
B. O Nascimento dos Três Filhos (1.3-9)
C. Profecia da Restauração (1.10-2.1)
D. Gômer Como Símbolo de Israel (2.2-23) 1. O Adultério de Israel (2.2-5) 2. O Juízo Divino (2.6-13) 3. DEUS Promete a Restauração de Israel (2.14-23)
E. A Redenção de Gomer (3.1-5)
II. A Mensagem de Oséias Descreve a Infidelidade, Rejeição e Restauração de Israel
(4.1-14.9)
A. O Adultério Espiritual de Israel (4.1-19)
B. O Juízo Divino Sobre Israel (5.1-14)
C. O Arrependimento Insincero de Israel (5.15-6.3)
D. O Registro dos Pecados de Israel (6.4-8.6)
1. Violação do Concerto (6.4-10)
2. Recusa em Confiar em DEUS, e Obedecê-lo (6.11-7.16)
3. Servir a Falsos Deuses (8.1-6)
E. A Predição do Juízo de Israel (8.7-10.15)
1. Será Devorada pelas Nações (8.7-14)
2. A Prosperidade Evaporará (9.1-9)
3. A Madre se Tornará Estéril (9.10-17)
4. A Nação Será Destruída (10.1-15)
F. O Amor Persistente de DEUS por Israel (11.1-11)
G. Repetição dos Pecados de Israel (11.12-12.14)
H. O Cuidado Passado de DEUS e Sua Ira Presente (13.1-16)
1. A Idolatria de Israel (13.1-3)
2. O Cuidado Divino no Êxodo (13.4-6)
3. O Plano Divino em Destruir Israel (13.7-13)
4. O Plano Divino para a Restauração Final de Israel (13.14)
5. Insistência na Destruição Iminente de Israel (13.15,16)
I. DEUS Promete Restaurar Israel (14.1-9)
1. A Chamada ao Arrependimento (14.1-3)
2. A Promessa de Bênçãos Abundantes (14.4-9)
Autor: Oséias



Tema: O Julgamento Divino e o Amor Redentor de DEUS
Data: 715-710 a.C.
Considerações Preliminares
Oséias, cujo nome significa “salvação”, é identificado como filho de Beeri (1.1). Nada mais se sabe do profeta, a não ser os lances biográficos que ele mesmo revela em seu livro. Que Oséias provinha de Israel, e não de Judá, e que profetizou à sua nação, fica patente: (1) em suas numerosas referências a “Israel” e “Efraim”, as duas principais designações do Reino do Norte; (2) na sua
referência ao Rei de Israel, em Samaria, como “nosso rei” (7.5); e (3) em sua intensa preocupação com a corrupção espiritual, moral, política e social de Israel. O ministério de Oséias, ao Reino do Norte, seguiu-se logo depois ao ministério de Amós que, embora fosse de Judá, profetizou a Israel. Amós e Oséias são os únicos profetas do AT, cujos livros foram dedicados inteiramente ao Reino
do Norte, anunciando-lhe a destruição iminente.Oséias foi vocacionado por DEUS a profetizar ao Reino de Israel, que desmoronava espiritual e moralmente, durante os últimos quarenta anos de sua existência, assim como Jeremias seria chamado a fazer o mesmo em Judá. Quando Oséias iniciou o seu ministério, durante os últimos anos de Jeroboão II, Israel desfrutava de uma temporária prosperidade econômica e de paz política, que acabariam por produzir um falso senso de segurança. Logo após a morte de Jeroboão
II (753 a.C.), porém, a nação começa a deteriorar-se, e caminha velozmente à destruição em 722 a.C. Passados quinze anos da morte do rei, quatro de seus sucessores seriam assassinados. Decorridos mais quinze anos, Samaria seria incendiada, e os israelitas, deportados à Assíria e, posteriormente, dispersados entre as nações. O casamento trágico de Oséias, e sua palavra profética, harmonizavam-se com a mensagem de DEUS a Israel durante esses anos caóticos.DEUS ordenou a Oséias que tomasse “uma mulher de prostituições” (1.2) a fim de ilustrar a infidelidade espiritual de Israel. Embora há os que interpretem o casamento do profeta como
alegoria, os eruditos conservadores consideram-no literal. Parece improvável, porém, que DEUS instruísse seu piedoso servo a casar-se com uma mulher de má fama para exemplificar sua mensagem a Israel. Parece mais provável que Oséias haja se casado com Gomer quando esta ainda era casta, e que ela haja se tornado meretriz posteriormente. Sendo assim, a ordem para se tomar
“uma mulher de prostituições” era uma previsão profética do que estava prestes a acontecer.O contexto histórico do ministério de Oséias é situado nos reinados de Jeroboão II, de Israel, e de quatro reis de Judá (Uzias, Jotão, Acaz, e Ezequias; ver 1.1) - i.e., entre 755 e 715 a.C. As datas revelam que o profeta não somente era um contemporâneo mais jovem de Amós, como também de
Isaías e Miquéias. O fato de Oséias datar boa parte de seu ministério mediante uma referência a quatro reis em Judá, e não aos breves reinados dos últimos seis reis de Israel, pode indicar ter ele fugido do Reino do Norte a fim de morar na terra de Judá, pouco tempo antes de Samaria ter sido destruída pela Assíria (722 a.C.). Ali, compilou suas profecias no livro que lhe leva o nome.
Propósito
A profecia de Oséias foi a última tentativa de DEUS em levar Israel a arrepender-se de sua idolatria e iniqüidade persistentes, antes que Ele entregasse a nação ao seu pleno juízo. O livro foi escrito com o objetivo de revelar: (1) que DEUS conserva seu amor ao seu povo segundo o concerto, e deseja intensamente redimi-lo de sua iniqüidade; e (2) que conseqüências trágicas se seguem quando o povo persiste em desobedecer a DEUS, e em rejeitar-lhe o amor redentor. A infidelidade da esposa de Oséias é registrada como ilustração da infidelidade de Israel. Gomer vai atrás de outros homens, ao passo que Israel corre atrás de outros deuses. Gomer comete prostituição física; Israel, prostituição espiritual.
Visão Panorâmica
Os capítulos 1-3 descrevem o casamento entre Oséias e Gomer. Os nomes dos três filhos são sinais proféticos a Israel: Jezreel (”DEUS espalha”), Lo-Ruama (”Não compadecida”) e Lo-Ami (”Não meu povo”). O amor perseverante de Oséias à sua esposa adúltera simboliza o amor inabalável de DEUS por Israel.Os capítulos 4-14 contêm uma série de profecias que mostram o paralelismo entre a infidelidade de Israel e a da esposa de Oséias. Quando Gomer abandona Oséias, e vai à procura de outros amantes (cap. 1), está representando o papel de Israel ao desviar-se de DEUS (4-7). A degradação de Gomer (cap. 2) representa a vergonha e o juízo de Israel (8-10). Ao resgatar Gomer do mercado de escravos (cap. 3), Oséias demonstra o desejo e intenção de DEUS em
restaurar Israel no futuro (11-14). O livro enfatiza este fato: por ter Israel desprezado o amor de DEUS e sua chamada ao arrependimento, o juízo já não poderá ser adiado.
Características Especiais
Sete aspectos básicos caracterizam o livro de Oséias. (1) Ocupa o primeiro lugar na seção do AT
chamada “O Livro dos Doze”, também conhecida como os “Profetas Menores”, por causa de sua brevidade em comparação com Isaías, Jeremias e Ezequiel. (2) Oséias é um dos dois únicos profetas do Reino do Norte a terem um livro profético no AT (o outro é Jonas). (3) À semelhança de Jeremias e Ezequiel, as experiências pessoais de Oséias ilustram sua mensagem profética. (4)
Contém cerca de 150 declarações a respeito dos pecados de Israel, sendo que mais da metade deles relaciona-se à idolatria. (5) Mais do que qualquer outro profeta do AT, Oséias relembra aos israelitas que o Senhor havia sido longânimo e fiel em seu amor para com eles. (6) Não há ordem visível entre suas profecias (4-14). É difícil distinguir onde uma profecia termina e outra começa.
(7) Elas acham-se repletas de vívidas figuras de linguagem, muitas das quais tiradas do cenário rural.
O Livro de Oséias ante o NT
Diversos versículos de Oséias são citados no NT: (1) o Filho de DEUS é chamado do Egito (11.1; cf. Mt 2.15); (2) a vitória de CRISTO sobre a morte (13.14; cf. 1 Co 15.55); (3) DEUS deseja a misericórdia, e não o sacrifício (6.6; cf. Mt 9.13; 12.7; e (4) os gentios que não eram o povo de DEUS, passam a ser seu povo (1.6, 9-10; 2.23; cf. Rm 9.25,26; 1 Pe 1.10). Além dos trechos específicos, o NT expande o tema do livro - DEUS como o marido do seu povo - e diz que CRISTO é o marido de sua noiva redimida, a igreja (ver 1 Co 11.2; Ef 5.22-32; Ap 19.6-9; 21.1-2, 9-10). Oséias enfatiza a mensagem do NT a respeito de se conhecer a DEUS para se entrar na vida
(2.20; 4.6; 5.15; 6.3-6; cf. Jo 17.1-3). Juntamente com esta mensagem, Oséias demonstra claramente o relacionamento entre o pecado persistente e o juízo inexorável de DEUS. Ambas as ênfases são resumidas por Paulo em Rm 6.23: “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de DEUS é a vida eterna, por CRISTO JESUS, nosso Senhor”.





INTERAÇÃO

O casamento de Oseias denota uma diversidade de sentimentos humanos que desabrocham numa história trágica entre DEUS e seu povo. Sim! Tristezas e frustrações fazem parte da vida pessoal do profeta. Mas também é verdade que renovadas esperanças estão implícitas na mensagem dramática desse profeta. Como marido, ele esperava a reconciliação plena com sua esposa Gomer. Tal retrato reflete o amor, a beleza e a intimidade que o verdadeiro casamento pode proporcionar. No caso de Israel, o Altíssimo almeja que a nação deixe o caminho do adultério espiritual e retorne ao amor inefável do esposo que, acima de tudo, a ama.



OBJETIVOS - Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

Conhecer a estrutura do livro de Oseias.

Compreender a linguagem simbólica usada no livro.

Conscientizar-se de que DEUS está pronto a nos reconciliar e acolher.



ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Reproduza o esquema da página abaixo. Utilize-o na introdução do primeiro tópico da lição. O esquema facilitará a compreensão dos alunos a respeito da estrutura do livro de Oseias. Explique que os assuntos principais do livro são: a apostasia de Israel; o grande amor de DEUS; o juízo divino e as promessas de restauração. O objetivo do livro é mostrar quão grande e abenegado é o amor de DEUS por seu povo.


ESBOÇO DO LIVRO DE OSEIAS
Esposa do profeta Oseias(Os 1 - 3)
O povo de Oseias (Os 4 - 14)
Mensagem de julgamento(Os 4 - 10)



RESUMO RÁPIDO

A situação de Israel na época do profeta Oséias era deplorável, o povo estava corrompido pela idolatria e DEUS na sua ira prepara o ato final para deportá-los a fim de que o conheçam como único e verdadeiro DEUS, mas é com o sofrimento de um marido traído que DEUS os chama ao arrependimento, procurando de todas as formas perdoá-los.

O casamento de Oséias e o seu triste relacionamento com Gômer, sua esposa, era o retrato do relacionamento de Israel com Jeová. A mensagem aqui é de castigo e restauração. A mensagem de Oséias anuncia também a vinda do Messias e o surgimento da Igreja (11.1; 1,10). Os pormenores aparecem nos capítulos subseqüentes.



O livro do profeta Oséias nos chama a uma urgente reflexão:

Em 2 Co 11.2 o apóstolo Paulo guiado pelo ESPÍRITO SANTO, escreve:

“Porque estou zeloso de vós com zelo de DEUS; pois vos desposei com um só Esposo, CRISTO, para vos apresentar a ele como virgem pura.”

Pergunta nº 1- Existem porventura alguns pontos de semelhança entre seu relacionamento com o Senhor JESUS CRISTO e o relacionamento de Israel com DEUS? De que maneira você está agradando o Noivo Celestial? Você está dilacerando o coração de DEUS de alguma forma?

Pergunta nº 2- Que providências você tem que tomar; o que precisa fazer?

Pergunta nº 3- De que maneira você acha que DEUS vai reagir e por que?



O autor do livro é Oséias, filho de Beeri, de Israel. Profundamente influenciado pelo profeta Amós, tragicamente ferido pela terrível infidelidade de sua esposa Gomer, agudamente cônscio dos terríveis pecados de seu próprio povo, sensível à voz de DEUS dirigida a um povo pecador, o profeta roga intensamente enquanto procura fazer que o povo infiel volte para seu DEUS. É o evangelista divinamente escolhido para persuadir os pecadores empedernidos a que se voltem para um DEUS cheio de amor, que está ansioso por perdoar-lhes e salvá-los. O ministério de Oséias estendeu-se por vários anos depois do ano de 756 a.C.



No reino do Sul, Judá, cuja capital era Jerusalém, profetisaram nesta época os profetas Isaías e Miquéias.

No reino do Norte, Israel, cuja capital era Samaria, profetisaram nesta época Amós e Oséias.



“Como também diz em Oséias: Chamarei meu povo ao que não era meu povo; e amada, à que não era amada” (Rm 9.25-26). Paulo faz aqui uma ligação direta com o chamado de DEUS a todos nós que não somos Judeus. “Mas pergunto ainda: Porventura Israel não o soube? Primeiro diz Moisés: Eu vos porei em ciúmes com aqueles que não são povo, com um povo insensato vos provocarei à ira” (Rm 10.19).



“Por que a idolatria era tão fascinante aos israelitas?

Há vários fatores implícitos.
“(1) As nações pagãs que circundavam Israel criam que a adoração a vários deuses era superior à adoração a um único DEUS. Noutras palavras: quanto mais deuses, melhor. O povo de DEUS sofria influência dessas nações
e constantemente as imitava, ao invés de obedecer ao mandamento de DEUS, no sentido de se manter santo e separado delas.
“(2) Os deuses pagãos das nações vizinhas de Israel não requeriam o tipo de obediência que o DEUS de Israel requeria. Por exemplo, muitas das religiões pagãs incluíam imoralidade sexual religiosa no seu culto, tendo para
isso prostitutas cultuais. Essa prática, sem dúvida, atraía muitos em Israel. DEUS, por sua vez, requeria que o seu povo obedecesse aos altos padrões morais da sua lei, sem o que, não haveria comunhão com Ele.
“(3) Por causa do elemento demoníaco da idolatria, ela, às vezes, oferecia, em bases limitadas, benefícios materiais e físicos temporários. Os deuses da fertilidade prometiam o nascimento de filhos; os deuses do tempo
(sol, lua, chuva etc.) prometiam as condições apropriadas para colheitas abundantes e os deuses da guerra prometiam proteção dos inimigos e vitórias nas batalhas. A promessa de tais benefícios fascinava os israelitas;
daí, muitos se dispunham a servir aos ídolos.” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, pág. 446)

Êx 20,3-4 = Não terás outros deuses diante de mim.Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.



O adultério espiritual:

É trocar DEUS por outro deus ou querer servir a DEUS e ao mundo ao mesmo tempo. DEUS não aceita isso.

Is 42.8 Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não a darei, nem o meu louvor às imagens esculpidas.

Mt 6.24 Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a DEUS e às riquezas.

Ap 2.22 Eis que a lanço num leito de dores, e numa grande tribulação os que cometem adultério com ela, se não se arrependerem das obras dela.

Jr 3.8 Sim viu que, por causa de tudo isso, por ter cometido adultério a pérfida Israel, a despedi, e lhe dei o seu libelo de divórcio, que a aleivosa Judá, sua irmã, não temeu; mas se foi e também ela mesma se prostituiu.



Crime e pecado:

“O homem que adulterar com a mulher de outro, sim, aquele que adulterar com a mulher do seu próximo, certamente será morto, tanto o adúltero, como a adúltera”. (Levítico 20:10)

Por que será que a religião que mais cresce depois do Cristianismo é o Islamismo?

Uma das respostas tem que passar pelo adultério. Veja o que diz o Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos: SURATA AN NISSÀ 4 SURATA 3-5 (Até mesmo seu mestre e profeta maior tinha mais de uma esposa - SURATA 66)



Em Marcos 10, JESUS diz que Moisés permitiu aos Judeus darem cartas de divórcio, não foi DEUS, foi Moisés, por causa da dureza de coração dos judeus e também porque insistiram tanto e fizeram tanta pressão que Moisés permitiu sem consultar a DEUS.



A mentira e o engano de Israel são, nos sentidos vertical e horizontal, infidelidade a DEUS e ao próximo.

SENTIDO

ENVOLVIDOS

SITUAÇÃO

RESULTADO

Vertical DEUS e os HomensIdolatria e alianças com ímpios.Deportação e exílio.
HorizontalOs Homens entre si mesmosMentira e Engano (Finanças e Comércio)Guerras e Inimizades.
 

A aliança foi desfeita pelos israelitas e quem desfaz a aliança é passível de maldições:

Dt 28.15 Se, porém, não ouvires a voz do Senhor teu DEUS, se não cuidares em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos, que eu hoje te ordeno, virão sobre ti todas estas maldições, e te alcançarão:

Os Sacerdotes são os principais culpados pelos pecados do povo, mas DEUS também cita os líderes, os Profetas e o próprio povo que deveriam ser fiéis ainda que seus ensinadores não o fossem, como fez Daniel na Babilônia e outros tantos servos de DEUS que em meio a um povo corrupto, idólatra e maldizente têm se mantido fiel a DEUS.



JEOVÁ RESTAURARÁ SEU POVO

1. “Vinde e tornemos para o Senhor” (v.1). Muitos expositores entendem que os vv.1-3 estão vinculados ao v.15 do capítulo anterior:
Vinde = Chamamento, está no imperativo, não é apenas um pedido, mas uma ordem como última oportunidade.

Tornemos = Mudança de atitude, de vida, de direção, agora rumo ao verdadeiro DEUS.



2. “Ele despedaçou e nos sarará, fez a ferida e a ligará” (v.1).

Na última oportunidade dada por DEUS ao seu povo o profeta os lembra de que a diáspora é para causar arrependimento e volta ao caminho correto. O oleiro amassa o vaso e faz outro. A aliança deve ser ratificada para ter renovação de promessas.



“Ao terceiro dia nos ressuscitará” (v.2). Essa profecia tem dupla aplicação: a restauração de Israel e a ressurreição de CRISTO.



É provável que a indicação de tres dias queira dizer um período suficiente de juízo como em:

Gn 40.19 dentro de três dias tirará Faraó a tua cabeça, e te pendurará num madeiro, e as aves comerão a tua carne de sobre ti.

Êx 10.22 Estendeu, pois, Moisés a mão para o céu, e houve trevas espessas em toda a terra do Egito por três dias.

Jn 1.17 Então o Senhor preparou um grande peixe, para que tragasse a Jonas; e esteve Jonas três dias e três noites nas entranhas do peixe.



Também tem a ver com a necrose ou tempo que o corpo suporta para começar a se decompor; indicando que Israel estaria no cativeiro até um determinado período de tempo para que não desaparecessem totalmente da terra. DEUS reservaria alguns fiéis joelhos para ELE, o remanescente é que se salvará.

1 Rs 19.18 Todavia deixarei em Israel sete mil: todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que não o beijou.

Ed 9.13 E depois de tudo o que nos tem sucedido por causa das nossas más obras, e da nossa grande culpa, ainda assim tu, ó nosso DEUS, nos tens castigado menos do que merecem as nossas iniqüidades, e ainda nos deixaste este remanescente;



Ressuscitará quer dizer que após o período de quase destruição (Juízo, quase chegando ao extermínio), haverá ressurreição.

A nação será restabelecida. Após setenta anos de cativeiro foram restabelecidos como nação como vimos na lição passada.

Ez 37.21 Dize-lhes pois: Assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu tomarei os filhos de Israel dentre as nações para onde eles foram, e os congregarei de todos os lados, e os introduzirei na sua terra;



OSÉIAS 14.1-9


Exortação ao arrependimento e promessa de perdão


1 Converte-te, ó Israel, ao SENHOR, teu DEUS; porque, pelos teus pecados, tens caído.

CONVERTE-TE… AO SENHOR. Embora seus pecados fossem a causa de sua ruína, os israelitas ainda tinham a oportunidade de se arrependerem e voltar ao Senhor. DEUS, porém, queria mais do que sacrifícios sem sentido. Queria que os israelitas oferecessem palavras provenientes do coração palavras de submissão e louvor, que demonstrassem uma nova atitude; palavras de absoluta confiança no Senhor. Tais palavras levariam a ações que agradariam a DEUS.

2 Tomai convosco palavras e convertei-vos ao SENHOR; dizei-lhe: Expulsa toda a iniqüidade e recebe o bem; e daremos como bezerros os sacrifícios dos nossos lábios.

Hb 13.15 Portanto, ofereçamos sempre, por ele, a DEUS sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome.

3 Não nos salvará a Assíria, não iremos montados em cavalos e à obra das nossas mãos não diremos mais: Tu és o nosso DEUS; porque, por ti, o órfão alcançará misericórdia.

Is 31.1 Ai dos que descem ao Egito a buscar socorro e se estribam em cavalos! Têm confiança em carros, porque são muitos, e nos cavaleiros, porque são poderosíssimos; e não atentam para o SANTO de Israel e não buscam ao SENHOR.

4 Eu sararei a sua perversão, eu voluntariamente os amarei; porque a minha ira se apartou deles.

5 Eu serei, para Israel, como orvalho; ele florescerá como o lírio e espalhará as suas raízes como o Líbano.

6 Estender-se-ão as suas vergônteas, e a sua glória será como a da oliveira, o seu odor, como o do Líbano.

7 Voltarão os que se assentarem à sua sombra; serão vivificados como o trigo e florescerão como a vide; a sua memória será como o vinho do Líbano.

14.4-7 EU VOLUNTARIAMENTE OS AMAREI. Depois de os israelitas terem suportado o castigo, DEUS os curaria e os restauraria plenamente, cuidando deles assim como um pai cuida de seus filhos. Seriam caracterizados por um novo modo de vida, belo e puro como o lírio; tal como os cedros do Líbano, o povo seria forte, altamente estimado e profundamente arraigado na Palavra de DEUS. Todas as figuras de linguagem nestes versículos demonstram quão precioso será para DEUS o povo restaurado.

8 Efraim dirá: Que mais tenho eu com os ídolos? Eu o tenho ouvido e isso considerarei; eu sou como a faia verde; de mim é achado o teu fruto.

Jr 31.18 Bem ouvi eu que Efraim se queixava, dizendo: Castigaste-me, e fui castigado como novilho ainda não domado; converte-me, e converter-me-ei, porque tu és o SENHOR, meu DEUS.

RESUMO DA LIÇÃO 2, OSEIAS, A FIDELIDADE NO RELACIONAMENTO COM DEUS

I. O LIVRO DE OSEIAS

1. Contexto histórico.

2. Estrutura.

3. Mensagem.

II. O MATRIMÔNIO

1. Etimologia.

2. Simbolismo.

3. A ordem divina para o casamento de Oseias.

III. A LINGUAGEM DA RECONCILIAÇÃO

1. O casamento restaurado.

2. O vale de Acor e a porta de esperança.

3. A reconciliação.

IV. O BANIMENTO DA IDOLATRIA EM ISRAEL

1. Meu marido, e não meu Baal.

a) Significados.

b) Divindade dos cananeus.

2. O fim do baalismo.



SINÓPSE DO TÓPICO (1) O livro do profeta Oseias é repleto de metáforas e símbolos. Sua mensagem denuncia o pecado e a corrupção do povo.

SINÓPSE DO TÓPICO (2) O matrimônio de Oseias com Gômer simboliza a infidelidade do povo em relação a DEUS.

SINÓPSE DO TÓPICO (3) A linguagem da reconciliação no livro de Oseias é apresentada através do amor, tema principal do oráculo divino neste livro.

SINÓPSE DO TÓPICO (4) O baalismo foi definitivamente extinguido em Israel. Isso pode ser confirmado até hoje.



AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICOI - Subsídio Bibliológico

“Livro de Oseias

[…] Quando Oseias iniciou seu ministério, Israel estava desfrutando o zênite da sua prosperidade e poder sob o reinado de Jeroboão II. Para entender melhor o livro de Oseias, leia 2 Reis 14.23 a 15.31. Oseias distinguia as dez tribos pelo nome de Israel, ou de Samaria, sua capital, ou de Efraim, a tribo principal. Oseias não morreu antes de ver o cumprimento de suas profecias. // O autor: Oseias, 1.1 // A chave: Adultério espiritual, 4.12. A idolatria com toda espécie de vício, permeava todas as classes sociais. Oseias por mais ou menos 60 anos condenava do modo mais veemente o procedimento do povo, qualificando-o de adultério. Continuava seus avisos sem resultados, o que é um tocante exemplo de perseverança no meio dos maiores desânimos. // As divisões: I. Israel, a esposa infiel de DEUS, caps. 1 a 3. II. Israel pecaminoso, 4.1. a 13.8 // III. Israel restaurado, 13.9 a 14.9.” (BOYER, Orlando. Pequena Enciclopédia Bíblica. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008, p.394).



AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO II - Subsídio Teológico

“Diante de tudo que temos estudado podemos compreender que o homem tem sido ingrato e rebelde e mesmo assim DEUS trabalha para a redenção humana. Primeiro levantou um povo na antiguidade para a glória de seu nome: Israel. Esse povo fracassou, mas ainda será restaurado. Quando Israel fracassou, rejeitando o seu Messias, DEUS levantou outro povo, a Igreja.

É comum encontrar no livro do profeta Oseias as promessas de bênçãos após as advertências de juízos. Isso revela o grande amor de DEUS por seu povo e isso é confirmado no Novo Testamento pela expressão: ‘Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo’ (2 Tm 2.13).

Depois de anunciar o fim da casa de Israel, ‘farei cessar o reino da casa de Israel’ (1.4), e de afirmar que Israel não é mais seu povo, ‘porque vós não sois meu povo, nem eu serei vosso DEUS’ (1.9), logo em seguida afirma que os filhos de Israel são povo de DEUS e também chama de filhos de DEUS. Não há nisso contradição alguma, pois essa promessa é escatológica, vem depois dos juízos anunciados nesse capítulo, em outros lugares do livro de Oseias.

Vemos que no Velho Testamento Jeová se utilizou da experiência de seu povo para se revelar a si mesmo de maneira progressiva, culminando com a manifestação de sua plenitude na Pessoa de seu Filho JESUS CRISTO (Cl 2.9). Agora, em Oseias, começa-se a vislumbrar o amor de Jeová pelo seu povo e por toda a humanidade, amor manifestado no calvário (Jo 3.16)” (SOARES, Esequias. Oseias: A restauração dos filhos de DEUS. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, p.53).



VOCABULÁRIO

Corregente: Pessoa que governa com outra.

ARA: Versão Almeida Revista e Atualizada.

TB: Versão da Tradução Brasileira.

Metáfora: Consiste na transferência da palavra para outro âmbito semântico; fundamenta-se numa relação de semelhança entre o sentido próprio e o figurado.

Execrada: Abominável.



BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

BOYER, Orlando. Pequena Enciclopédia Bíblica. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.

SOARES, Esequias. Oseias: A restauração dos filhos de DEUS. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.

SAIBA MAIS - Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 52, p.37.



AJUDA

CPAD - http://www.cpad.com.br/ - Bíblias, CD’S, DVD’S, Livros e Revistas. BEP - Bíblia de Estudos Pentecostal.

VÍDEOS da EBD na TV, DE LIÇÃO INCLUSIVE - http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm

BÍBLIA ILUMINA EM CD - BÍBLIA de Estudo NVI EM CD - BÍBLIA Thompson EM CD.

Peq.Enc.Bíb. - Orlando Boyer - CPAD

SOARES, Esequias. O Ministério Profético na Bíblia: A voz de DEUS na Terra. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

SOARES, Esequias. Visão Panorâmica do Antigo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

ZUCK, Roy B (Ed.). Teologia do Antigo Testamento. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.




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Oséias - A Fidelidade no Relacionamento com Deus - CPAD

TEXTO ÁUREO

“Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo” (2 Co 11.2).

INTRODUÇÃO

I. O LIVRO DE OSEIAS
II. O MATRIMÔNIO
III. A LINGUAGEM DA RECONCILIAÇÃO
IV. O BANIMENTO DA IDOLATRIA EM ISRAEL

CONCLUSÃO

OS AMADOS DE JEOVÁ (11.2-4)

Esequias Soares

1. Israel recusou muitas vezes o chamado de Deus. … como os chamavam, assim se iam da sua face; sacrificavam a baalins… (v.2). A BHS [Bíblia Hebraica Stuttgartensia] traz uma variante mipanay hem, o termo panay significa “minha face”. É o que encontramos na LXX: ek prosopou mou. A NVI [Nova Versão Internacional] e a VR [Versão Revisada de Acordo com os Melhores Textos Hebraico e Grego] também seguiram essa linha, usando o pronome da primeira pessoa: “mais eles se afastavam de mim”.

O que o profeta está dizendo é que quanto mais Jeová os chamava para junto de si, mais eles se distanciavam, oferecendo culto aos baalins, às imagens de escultura. As versões ARC, ARA, TB colocaram o pronome na terceira pessoa. Dessa forma significa que quando mais Jeová enviava profetas para chamar o povo ao arrependimento, mais os filhos de Israel os rejeitavam. Efraim estava profundamente comprometido com os baalins.

2. A proteção de Jeová. … eu ensinei a andar a Efraim; tomei-os pelos seus braços… (v.3). Oseias retorna às origens. Quando tudo começou, Israel estava no Egito. No deserto Jeová ensinou a seu povo como uma mãe ensina a seus filhinhos a dar os seus primeiros passos. Qual pai que se cansa de ensinar a seus filhinhos a darem os primeiros passos?

Apesar das murmurações, dos queixumes e de falta de gratidão, eles estavam aprendendo e eram amados de Jeová.

…tomei-os pelos seus braços, mas não conheceram que eu os curava (v.3). Essas palavras revelam a ternura do amor paterno de Jeová pelo seu povo.

Muitas vezes Jeová tomou Israel em seus braços para alimentá-lo e para defendê-lo. Jeová sustentou com o pão que eles não conheceram (Dt 8.3), deu de beber águas da rocha (Êx 17.7). Derrotou e arruinou o Egito e todos os povos que se levantaram contra Israel, como os amalequitas (Êx 17.13). Assim foi ao longo de sua história, mesmo depois de sua entrada em Canaã. Não entenderam que era Jeová que os curava quando ficavam enfermos (Êx 15.26).

Texto extraído da obra “Oseias: A restauração dos filhos de Deus”. Editada pela CPAD

Publicado no Portal CPAD




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Oséias - A Fidelidade no Relacionamento com Deus - Sulamita Macêdo

Professoras e professores, para esta lição, apresento as seguintes sugestões:

- Iniciem a aula, cumprimentando os alunos, perguntem como passaram a semana. Escutem atentamente as falas dos alunos e observem se há alguém necessitando de uma conversa e/ou oração. Verifiquem se há alunos novatos e/ou visitantes e apresentem cada um. Após a chamada, solicitem ao secretário da classe a relação dos alunos ausentes e procurem manter contato com eles durante a semana, através de telefone ou email. Compreendem a importância desse ato? Os alunos se sentirão queridos, cuidados, perceberão que vocês sentem falta deles. Dessa forma, vocês estarão estabelecendo vínculos afetivos com seus alunos.

- Falem: A aula de hoje será sobre o livro de profeta Oseias, o primeiro de uma série de 12 livros. A lição tem como título “Oseias - A fidelidade no relacionamento com Deus”.

- Trabalhem o conteúdo proposto na lição de forma objetiva, sem suprir partes importantes. Leiam a lição pelo menos 02 vezes, anotem os pontos mais importantes. Pesquisem sobre este tema em livros, sites confiáveis. Não percam o foco do tema da aula, daí a importância de levantar pontos principais e não se prender em pontos pouco relevantes. Preparem-se para ministrar a aula!

- Como trabalhar o tema:

1 - Contexto histórico da época do profeta Oseias

Profetizou em Samaria: Capital do Reino do Norte

Período de Ministério: 793 - 753 a. C.(40 anos)

Contemporâneo do rei Jeroboão II(Os. 1.1)

Havia prosperidade econômica, hegemonia política e militar da Assíria

Constatava-se a apostasia, infidelidade a Deus.

2 - Divisão do livro do profeta Oseias:

Parte I: Biografia do profeta, nos capítulos de 1 a 3.

Parte II: Profecias, nos capítulos 4 a 14. 3

- Mensagem principal do livro

4 - Simbolismo do matrimônio de Oseias e Gomer

5 - Advertências e juízos

6 - Mensagem de Esperança: Amor e fidelidade de Deus/ Reconciliação/Restauração

7 - Contextualização do tema com a vida do seu aluno e para a Igreja.

- Trabalhem o conteúdo da lição de forma participativa, buscando o envolvimento do aluno com a aula. Dessa, forma aprendizagem será mais significativa.

- Para concluir, utilizem a dinâmica “Árvore Frutífera”.

Tenham uma excelente e produtiva aula!

Os professores de Adolescentes, Juvenis e Discipulado podem encontrar subsídios pedagógicos para as lições no Blog Atitude de Aprendiz.

Pensem nisto! Fujam de uma ministração de aula puramente mecânica. Ensinar não é uma ato solitário. Mesmo que vocês tenham se habituado a essa atitude, procurem mudar, mesmo devagar, mas mudem.

Utilizem métodos e técnicas diferenciadas nas aulas! “Mas sempre fizemos assim” pode ser o golpe fatal na criatividade. Para infundir empolgação em nosso ministério de ensino e talvez desenvolver nossa parte de imaginação, precisamos estar dispostos a olhar além do “sempre foi feito assim”. Podemos ficar tão acostumados ao modo como as coisas são feitas que nos recusamos a admitir a existência de caminhos mais eficientes. Também é mais fácil agarrar-se a antigos padrões e torná-los cada vez mais melhores do que tentar inovar”(Marlene D. LeFever).

Publicado no blog Atitude de Aprendiz




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Oséias - A Fidelidade no Relacionamento com Deus - Ev. Isaias de Jesus

TEXTO ÁUREO = Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo (2 Co 11.2).
VERDADE PRÁTICA = O casamento de Oseías ilustra a infidelidade de Israel e mostra a sublimidade do amor de Deus.
LEITURA BIBLICA = OSEIAS 1: 1,2; 2: 14-17, 19,20
INTRODUÇÃO
Os estudiosos consideram Amós o líder dos que libertariam a religião de sua relação antinatural com a tirania, o egoísmo, o cerimonialismo e a superstição. Em comparação com ele, Oséias é considerado o profeta mais antigo que interpretou a vontade de Jeová relacionada ao amor. Conforme observou George Adam Smith: “Não há verdade dita pelos antigos profetas sobre a graça divina que não encontremos embrionariamente neste profeta. {…} Ele é o primeiro profeta da graça, o primeiro evangelista de Israel”.’ O teor da profecia é um testemunho dinâmico e severo contra o Reino do Norte por ter se apostatado do concerto. Todos conheciam bem a corrupção que campeava pela nação no âmbito das questões públicas e particulares.
O propósito de Oséias era o de convencer seus compatriotas sobre a necessidade de se arrependerem, restabelecerem a relação de concerto e dependerem do Deus paciente, compassivo e perdoador. “Oséias apresenta a ameaça e a promessa do ponto de vista do amor de Yahweh (Jeová) por Israel como seus filhos queridos e como a sua esposa do concerto”. A doutrina do amor de Deus apresentada por Oséias não era inédita; contudo, foi expressa com clareza e propósito. Ainda que sua mensagem não esteja na lista dos principais profetas por causa da brevidade de suas declarações, deve constar entre as mais importantes em termos de compreensão das Escrituras. Oséias era mais poeta que teólogo - o apóstolo João do Antigo Testamento.
Autoria e Data
O nome “Oséias”, como “Josué” e “Jesus”, é derivado do radical hebraico que significa “salvação”. E idêntico ao nome do último rei de Israel. A erudição bíblica reconhece amplamente que Oséias era nativo do Reino do Norte, pois ele conhecia profundamente todos os aspectos da vida de Efraim. Escreve na qualidade de testemunha ocular. Exceto o nome de seu pai e o casamento com Gômer, há poucos detalhes sobre sua vida.
Supõe-se que era sacerdote, apesar de não haver indicativo a esse respeito. Tinha em alto conceito o dever sacerdotal e faz numerosas referências aos sacerdotes (4.6-9; 5.1; 6.9), à Torá ou lei de Deus (4.6; 8.12), às coisas impuras (9.3), às abominações e à opressão da “casa de Deus”. ‘ Entendia bem a lei escrita e conhecia Israel pessoalmente. Sabemos pouco acerca de seu ministério efetivo, a não ser que foi perseguido muito provavelmente por causa de seu trabalho profético (9.7,8).
Oséias concede-nos a data de sua profecia no título do livro: “Palavra do SENHOR que foi dita a Oséias, filho de Beeri, nos dias de Uzias, Jotão, Acaz, Ezequias, reis de Judá, e nos dias de Jeroboão, filho de Joás, rei de Israel” (1.1).
Há notável diferença de julgamento quanto à duração do ministério de Oséias. O caráter fragmentário das profecias sugere que nem todas foram entregues no mesmo período da vida do profeta. Archer deduz que parte da escrita deve ser datada antes da morte de Jeroboão II (753 a.C.), “visto que o capítulo 1 interpreta o significado simbólico de Jezreel com o sentido de que a dinastia de Jeú deve ser exterminada com violência”.
Quando Salum assassinou Zacarias, filho de Jeroboão, a profecia se cumpriu. Por outro lado, parece que o capítulo 5 é dirigido ao rei Menaém (752-742 a.C.). Levando em conta que o capítulo 7 trata da “dupla-diplomacia” de lançar a Assíria contra o Egito (fato não conhecido antes do reinado do rei Oséias, 732-723 a.C.), temos de admitir que este capítulo vem de 10 a 20 anos depois do capítulo 5. E lógico que o livro apresenta trechos selecionados de sermões entregues durante certo período de tempo. Archer conclui que o ministério de Oséias abrangia um período de pelo menos 25 anos, sendo que a compilação final foi concluída e publicada em 725 a.C., uns 30 anos depois do início do ministério deste profeta.
Por outro lado, Carl Keil, estudioso alemão, acredita que Oséias manteve seu ofício profético entre 60 e 65 anos. (A discrepância está entre a duração do “ofício” em oposição ao tempo efetivo das declarações proféticas.) Este cálculo é 27 a 30 anos sob o reinado de Uzias, 31 anos sob o reinado de Jotão e Acaz, e de 01 a 03 anos sob o reinado de Ezequias. Ainda que tenhamos justificativa em presumir que o ministério de Oséias durou o tempo indicado em 1.1, as evidências internas do livro apontam épocas extensamente divergentes das efetivas declarações proféticas - um período de tempo que pode ter sido consideravelmente mais curto que o indicado pelo título.
Mesmo que a verdadeira extensão do ministério de Oséias possa permanecer em dúvida, sabemos que Amós foi seu contemporâneo nos primeiros anos de seu ministério, e que Isaías, Miquéias e Obadias conviveram com ele durante os seus últimos anos.

Pano de Fundo Histórico
Para entendermos os escritos de Oséias em relação ao conceito do amor divino, que é o tema central do livro, é necessário examinarmos brevemente as circunstâncias sob as quais ele exerceu seu ministério. Como acontece com todos nós, não podemos entender a pessoa ou sua mensagem independentemente de seu ambiente peculiar. O profeta é influenciado pela cultura na qual vive e a influencia.
O reinado de Jeroboão II em Israel foi uma época de paz, prosperidade e luxo. Contudo, após a morte deste monarca sobrevieram anarquia, disputa e concerto quebrado. Knudson, ao resumir a situação, escreve: Jeroboão […] foi sucedido por seu filho Zacarias, que depois de um breve reinado de seis meses foi assassinado por Salum. Este subiu ao trono e, após reinar por um mês, foi morto por Menaém, o qual reinou por dois ou três anos, e foi sucedido por seu filho, Pecaías, que, depois de um reinado de dois anos, foi assassinado por Peca. Este reinou por um ano ou dois, e depois foi morto por Oséias, que subiu ao trono como vassalo assírio e foi o último dos reis de Israel. Assim, em um período de oito ou nove anos, de 740 a.C. a 732 a.C., houve não menos de sete reis de Israel, e destes, quatro foram assassinados por seus respectivos sucessores.
O período após a morte de Jeroboão II caracterizou-se pela ausência de um governo capaz de equilibrar a estrutura religiosa, política, social e econômica. O reino estava a caminho da ruína. Esta situação é vista com clareza nos últimos 11 capítulos do livro de Oséias.
Depois da morte de Jeroboão, Israel encontrava-se politicamente fracassado. Estava minado por tramas, fraudes e intrigas. A nação estava madura para a conquista. Em acréscimo ao quadro decadente, Yates observa que “príncipes tolos, que levaram o povo a confiar no Egito, apressaram o fim. Os egípcios prometiam muito, mas nunca puderam cumprir o que prometeram. Israel estava totalmente desprovido de aliados”. O resultado era inevitável e a primeira investida ocorreu em 733 a.C., quando Tiglate-Pileser invadiu Damasco, saqueou o território de Israel e levou a maioria dos líderes para o exílio. Em 722-721 a.C., Sargão tomou a capital Samaria. Oséias não tinha ilusão acerca deste trágico desastre. O castigo dos pecados de Israel era iminente, mas ainda estava no futuro.
A desintegração política em Israel nos dias de Oséias foi, possivelmente, indicação de uma moléstia social muito grave. Foi um tempo de crime, corrupção e imoralidade. A degradação do sacerdócio, a impotência dos governantes, o desatino do pecado e a injustiça contribuíram para o declínio e queda do Reino do Norte. Havia relaxamento na conduta individual. O caráter era negligenciado. A dignidade do indivíduo era sacrificada em função da indisciplina pessoal, e a incerteza dominou a nação.

A presença disseminada de cultos à fertilidade causou seu efeito na desintegração da vida familiar. O lar já não era sagrado e os votos matrimoniais quase nada significavam. As orgias relacionadas aos cultos sobre a fertilidade transformaram muitos israelitas em bêbedos, e havia suspeita de que muitas das mulheres tornaram-se prostitutas cultuais.
Entre todas as classes sociais havia ódio. Os ricos ficavam cada vez mais ricos e os pobres, mais pobres. Os ricos oprimiam os pobres e até os escravizavam. ‘ A situação estava no ponto certo para Oséias cumprir o papel tradicional de profeta, ou seja, ser paladino dos pobres e defensor das reformas sociais. E claro que o profeta logo identificou o cerne da degradação política e social: falhas religiosas e morais - o pecado. A idolatria era a causa da doença de Israel. Oséias a rotula de “prostituição” (1.2; 6.10), “luxúria” (4.10), “incontinência” (4.11; cf. “se prostituem”, 4.13,14; “corrompem-se”, 4.18; “te tens prostituído”, 5.3). Eiselen escreve acerca da situação: “Israel, a esposa de Jeová, mostrou-se infiel ao marido. As provas da infidelidade evidenciavam-se no âmbito da religião, da ética e da política, e os pecados que provocaram a ira de Jeová e de seu profeta concentravam-se em torno destas três esferas”.’1 Há somente uma consideração nominal a Jeová (8.2). O povo se entregou à superstição e licenciosidade.
Os sacerdotes fracassaram em seu dever para com Deus e o povo. Alegravam-se com os pecados do povo, porque isso lhes aumentava a renda. Tornaram-se bandoleiros (6.9). A própria nação se tornou “prostituta”. O estado de Israel foi de uma apostasia religiosa tal que resultou em degradação moral, social e política.
O CASAMENTO DE OSÉIAS (1.2,3)
O princípio da palavra do SENHOR por Oséias; disse, pois, o SENHOR a Oséias: Vai, toma uma mulher de prostituições e filhos de prostituição; porque a terra se prostituiu, desviando-se do SENHOR (1.2).
1. O inicio do ministério de Oséias. O princípio da palavra do SENHOR por Oséias (v.2). A idéia do texto hebraico tehilat diber YHWH beHoshea é: “a primeira vez que o Senhor falou com Oséias”, ou “por Osélas”. A ARA diz: “Quando, pela primeira vez, falou o SENHOR por intermédio de Oséias”, fraseologia similar encontramos na NVI. Assim podemos afirmar que foi logo no início de seu ministério que Deus mandou o próprio Oséias tomar por esposa uma mulher de baixa moral. Não sabemos a idade do profeta nessa época, pois ele teve um ministério prolongado, e também os jovens se casavam muito cedo naquela época. Podemos arriscar uma idade não muito inferior a 20 anos.
2. A ordem divina. Toma uma mulher de prostituições… (v. 2). A palavra hebraica usada aqui para “prostituição” é zenunim, que significa “fornicação, prostituição, meretrício, infidelidade, libertinagem”. A LXX traduziu essa palavra pelo substantivo porneia, que significa: “prostituição adultério, fornicação, incastidade, qualquer relação sexual ilícita”. A expressão esheth zenunim quer dizer que a ordem em hebraico lech khach lechach “vai, toma”, é mesmo tomar uma mulher da vida, uma rameira.
3. As interpretações do casamento de Oséias. Há três interpretações gerais desse casamento: sonho ou visão, alegoria ou parábola e a linha literal. Cada uma delas apresenta explicações diferentes dos pormenores.
a) Sonho ou visão. A primeira delas, dada a sua fragilidade, não há o que comentar. É a linha que afirma que o profeta sonhou ou teve uma visão. Não é isso que o texto sagrado está dizendo. Muitos sequer consideram-na como uma interpretação, como se ela não existisse.
b) Alegoria. Agostinho defendia essa interpretação com muita garra. Segundo Agostinho, a interpretação literal é incongruente e moralmente imprópria. O livro de Oséias faz uso indistintamente do termo “prostituição” tanto num casamento literal quanto no sentido espiritual. Isso acontece em toda a Bíblia e se aplica também ao culto pagão.Tal prática era considerada adultério, prostituição ou fornicação espiritual (Jr 3.8; 13.27; Ez 16.32).
c) A interpretação literal. A maioria dos expositores da Bíblia admite tratar-se de um casamento literal. A forma direta do relato do profeta torna claro e inconfundível sua historicidade. O texto sagrado não parece oferecer condições para interpretação alegórica, parece ser literal.
A esposa é identificada pelo seu nome “Gomer” ou “Gômer”; da mesma forma, o sogro de Oséias é chamado pelo seu nome “Diblaim” (v.3) e fala que desse casamento nasceram filhos, Jezreel, Lo-Ruama e Lo-Ami. A interpretação de Agostinho está hoje fora de cogitação pela maioria dos expositores da Bíblia.
Dentro dessa interpretação literal há interpretações diferentes de pormenores, O Dr. A. R. Crabtree vê dificuldade em aceitar o fato de Jeová ordenar um santo homem se casar com uma mulher de baixa moral. Seu argumento é baseado unicamente no princípio da moralidade judaico-cristã. Nesse caso ele vê a possibilidade de Gomer se prostituir só depois do casamento.
Essa é outra linha de pensamento sobre o casamento de Oséias. Discorda da linha alegórica, admite que esse matrimônio do profeta foi literal. Mas afirma que Gomer era pura quando se casou e que a expressão “mulher de prostituições e filhos de prostituição” (v. 2) aponta para a presciência de Deus, ou seja, Deus sabia de antemão que Gomer seria infiel. Essa linha é também defendida por Charles L. Feinberg.
Um casamento desse parece-nos, de fato, incoerente, mas é o que está escrito. Nem por isso devemos inventar interpretações, pois a hermenêutica tem regras e limites. O casamento de Oséias foi literal e serviu para ilustrar a situação pecaminosa de Israel. De qualquer forma, o que não devemos é dogmatizar, pois são interpretações literais possíveis. Além disso, nenhuma delas compromete à fé cristã e nem afeta a salvação.
A proibição de se casar com uma meretriz é só para os sacerdotes e não para todos (Lv 21.7). E em nenhum lugar da Bíblia afirma textual- mente que Oséias era sacerdote. A ordem divina foi para Oséias se casar e não adulterar com ela. A prostituição é condenada em toda a Bíblia, e mui especialmente no livro do profeta Oséias. A proibição da união com uma prostituta (1 Co 6.16) não é mesma coisa que um casamento com alguém dessa origem que se converteu à fé cristã (1 Co 6.11).
4. A analogia do casamento de Oséias. Porque a terra se prostituiu, desviando-se do SENHOR (v.2). Após a ordem de Jeová para Oséias se casar vem a justificativa. A comparação desse casamento com o então estado espiritual da nação não nos fornece subsídios suficientes para uma interpretação alegórica.
As Dez Tribos do Norte estiveram sempre envolvidas numa apostasia generalizada. A idolatria é comparada ao adultério e à prostituição espiritual e até porque em muitos cultos idólatras, dedicados à fertilidade, era praticada a prostituição de maneira literal. Deus queria que Oséias compreendesse o paradoxo da maldade do povo e a grandeza do amor de Jeová através da experiência com sua esposa infiel, que ele tanto amava. Isso levou Oséias a compreender com profundidade o amor de Jeová pelo seu povo.
E foi-se e tomou a Gomer, filha de Diblaim, ela concebeu e lhe deu um filho (1 .3).
5. Gomer. A esposa de Oséias é identificada pelo seu nome “Gomer” ou “Gômer”, conforme a versão. É o mesmo nome de um dos filhos de Jafé (Gn10.2). Nada sabemos sobre Diblaim, pai de Gomer. O texto diz que … ela concebeu e lhe deu um filho (v.3). Entendemos que essa expressão indica que esse filho nasceu de Oséias e Gomer, o que provavelmente não aconteceu com os 2 que vieram depois.
A RESTAURAÇÃO DE ISRAEL (2.14-20)
Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração (2.16) (2.14). 1. O tema do livro de Oséias. Encontramos no v. 14 uma demonstração do grande amor de Jeová pelo seu povo: … eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração (v.]4). O amor de Jeová pelo seu povo é o grande tema de Oséias, ver comentário 11.8,9. O deserto aqui diz respeito ao lugar de união entre a esposa e o marido, falar ao coração. No deserto é uma linguagem figurada para descrever a segunda lua-de-mel. Foi para o deserto que Deus chamou o seu povo para uma comunhão íntima (Êx 3.12; 5.1).
E lhe darei as suas vinhas dali e o vale de Acor, por porta de esperança; e ali cantará, como nos dias da sua mocidade e como no dia em que subiu da terra do Egito ([2.171 2.15).

2. A volta ao marido. E lhe darei as suas vinhas… (v. 15). Linguagem figurada para indicar a volta de Gomer ao seu marido, ou Israel a Jeová. O verbo hebraico ananthah significa “responder, cantar, sofrer”. A última palavra não cabe nesse contexto. A NVI traduziu por “responder”, que indica o amor correspondido.
O vale de Acor (v. 15). Localizado na orla mediterrânea rio norte de Israel, durante mais de 500 anos estava na lembrança do povo o pecado de Acã (Jo 7.24), era lugar de perturbações. Jeová transforma esse lugar na porta da esperança.
16 E acontecerá naquele dia, diz o SENHOR, que mechamarás:Meu marido e não me chamarás mais: Meu Baal. 17 E da tua boca tirarei os nomes de baalins, e os seus nomes não virão mais em memória. 18 E, naquele dia, farei por eles aliança com as bestas-feras do campo, e com as aves do céu, e com répteis da terra; e da terra tirarei o arco, e a espada, e a guerra e os farei deitar em segurança ([2.18-20] 2.16-1 8).
3. O fim do baalismo. … que me chamarás. Meu marido e não me chamarás mais: Meu Bani (v. 16). Interessante que Oséias usou a expressão hebraica baali, “Meu Baal”, que será substituído nos lábios dos filhos de Israel por Ishi, que significa “Meu Marido”. Uma profecia escatológica que já está se cumprindo. Hoje, embora a restauração espiritual dos judeus ainda não tenha acontecido, todavia, o baalismo e qualquer forma de idolatria é repugnância nacional em Israel. O profeta diz que no futuro Israel voltará à comunhão com Jeová e o baalismo será extinto.
Jeová tirará da boca do povo o nome dos baalins que não virão mais à memória (v.17). É até possível que muitos adoravam a Baal pensando estar adorando a Jeová. Mesmo ainda não tinham desculpas porque era proibido o uso dos nomes dos deuses (Êx 23.13). O v. 18 é uma referência ao Milênio.
E desposar-te-ei comigo para sempre; desposar-te-ei comigo em justiça, e em juízo, e em benignidade, e em misericórdias ([2.21 2.19).
4. A reconciliação com Deus. E desposar-te-ei comigo para sempre… (v. 19). Muito mais importante do que a paz universal do reino messiânico é a comunhão de cada crente com Deus. O verbo hebraico para “desposar”, aqui, é arash, o mesmo usado para desposar uma virgem. Isso mostra a situação do mais vil pecador, que ao ser perdoado realmente se torna nova criatura (2 Co 5.17) e sem nenhuma condenação (Rm 8.1). Deus é poderoso para transformar uma prostituta numa linda donzela. A mensagem parte do casamento fracassado de Oséias e de sua reconciliação com Gomer, que serve para ilustrar a situação de Israel com Jeová, do pecador com Deus (Rm 5.8).
Além da perpetuidade desse casamento, encontramos as promessas de justiça, juízo, benignidade, misericórdia e fidelidade (vv. 19, 20). A palavra hebraica, aqui para juízo, é mishpat, tem duas acepções, a saber: as funções de um juiz, ao se inteirar da causa e emitir a sentença, um veredicto justo (Ec 12.14) e o direi- [o de uma pessoa (Êx 23.6). Aqui fala dos direitos dos crentes como filhos de Deus na eternidade.
E desposar-te-ei comigo em fidelidade, e conhecerás o SENHOR ([2.221 2.20).
…e conhecerás ao SENHOR (v. 20). o conhecimento de Deus é um dos temas principais da teologia de Oséias. Os vv. 19 e 20 mostram que conhecer ao Senhor significa comunhão, ver comentário 6.3. O profeta usa uma metáfora do casamento para explicar a união de Israel com Jeová e da igreja com Cristo. Não há intimidade mais profunda entre os seres humanos do que um homem e uma mulher no casamento. intimidade maior do que a do casal, só entre as três Pessoas da Santíssima Trindade. Esse casamento é para sempre, assim como o casamento foi instituído por Deus como pacto indissolúvel: “e serão ambos uma carne” (Gn 2.24), o Senhor Jesus sancionou essa indissolubilidade: “Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem” (Mt 19.6).
A IDOLATRIA DE ISRAEL (4.16-19)
Porque, como uma vaca rebelde, se rebelou Israel; agora, o SENHOR os apascentará como a um cordeiro em um lugar espaçoso (4.16).
1. Rebelião e idolatria. Porque, como uma vaca rebelde, se rebelou Israel.. (v.16).O profeta usa aqui a figura da novilha obstinada para mostrar a dura cerviz da nação (Êx 34.9). Com essas palavras, Jeová está falando através do profeta, que Israel tornou-se como vaca indomável. Já era um povo difícil desde a peregrinação do deserto, ainda nos dias de Moisés, quanto mais na plena apostasia e rebelião, ver comentário 10.11.
Efraim está entregue aos ídolos; deixa-o (4.17).
Efraim é outro nome usado em Oséias para identificar o nome das 1 )Dez Tribos do Norte. A partir daqui Efraim e Israel são nomes usados alternadamente com muita freqüência. O nome hebraico Efraim significa “frutífero”, ver comentário 9. 11.
Alguns acham que Oséias era dessa região, outros acham que na divisão do reino as Dez Tribos do norte não tinha ainda nome e por isso o nome de Efraim ficou para identificar o novo estado. Só no livro de Oséias o nome de Efraim aparece 36 vezes. Era a tribo mais importante e a mais poderosa de todas as demais tribos. Jeroboão 1, filho de Nebate, parece que era de Efraim (1 Rs 12.25).
A expressão .. .está entregue aos ídolos; deixa-o indica que a restauração da nação é irrecuperável. A palavra hebraica usada para “entregue” é chabur significa “ligado”, usada para união íntima entre marido e esposa (Ml 2.14). A dificuldade maior era que Efraim se mostrava satisfeito com seu pecado, seria inútil insistir com ele, por isso que o profeta disse: deixa-o. Só depois de todos os castigos e no fim dos dias é que Israel vai se reconciliar com Jeová, quando o vale de Acor se tornar na porta da esperança, ver comentário (2. 15). É difícil pregar a salvação em Jesus para quem está satisfeito com o pecado, com aquilo que faz. Essa satisfação leva o pecador a rejeitar o plano de Deus para a salvação. Julgam-se não precisar de Jesus. Há pessoas que, pregar para elas, é o mesmo que dar “aos cães as coisas santas” e oferecer “aos porcos as vossas pérolas” (Mt 7.6).
A sua bebida se foi; eles corrompem-se cada vez mais; certamente amaram a vergonha os seus príncipes (4.18).
2. A embriaguez. A sua bebida se foi; eles corrompem-se cada vez mais… (v. 18). A palavra hebraica para bebida, aqui, é sobhe’, que vem do verbo denominativo hebraico sabha’”beber”, que sugere beber bastante (Is 56.12), é a mesma palavra usada para “bêbado” (Ez 23.42). O substantivo sobhe’ significa “vinho, bebida, orgia” e descreve também o adultério espiritual de Jerusalém (Is 1.21,22).
Parece que depois que esses príncipes se embriagavam, entregavam-se à licenciosidade, como sugere o texto da NVI. O substantivo hebraico que Oséias usou aqui para “príncipes” é magneia, de maguen, “escudo, protetor”. Esses príncipes, que seriam protetores do povo, corromperam-se e amaram mais a vergonha em virtude do alcoolismo e da corrupção. Um vento os envolveu nas suas asas, e envergonhar-se-ão por causa dos seus sacrifícios (4.19).
3. O inimigo à porta. Um vento os envolveu nas suas asas…(v.19). O profeta usa com muita freqüência figura para indicar a Assíria, o chicote de Jeová para castigar seu povo. Aqui temos a figura do vento, que reaparece em outro lugar, em Oséias, ver comentário 13.15. A figura indica a Assíria, que com rapidez e violência, viria para humilhar toda a nação por casa dos seus sacrifícios oferecidos a deuses estranhos.
A grande lição que todo o mundo deve saber é que o pecado jamais ficará impune. Pecado será sempre pecado e Deus reage a ele, pois, é uma afronta à santidade divina, O velho ditado vox populi vox Dei, “a voz do povo é a voz de Deus”, nem sempre pode ser verdade, e nem se aplica no contexto espiritual. A Voz de Deus é a sua Palavra.´
A sociedade é vigia dos bons costumes e das práticas comuns e também responsável por tudo o que se pratica no seu meio. Uma sociedade sem verdade, sem benignidade e sem o conhecimento de Deus chegou ao mais baixo grau de espiritualidade, ainda mais num estado teocrático como Israel nos dias do profeta Oséias. Como Israel representa a Igreja, devemos ter em mente que a Igreja deixa de ser cristã quando faltar o conhecimento de Deus.
O BAALISMO E SUAS CONSEQÜÊNCIAS (2.8-13)
Ela, pois, não reconhece que eu lhe dei o grão, e o mosto, e o óleo e lhe multipliquei a prata e o ouro, que eles usaram para Baal ([2.10] 2.8).
1. Reconhecer as bênçãos de Jeová. … não reconhece que eu lhe dei o grão, e o mosto, e o óleo e lhe multipliquei a prata e o ouro… (v.8). Gomer não sabia a origem de seu suprimento. Israel não imagina que seus víveres e sua segurança e a sua paz só podiam vir de Jeová. Ainda hoje os judeus não sabem que Jesus é que tem dado a provisão do seu povo. Os irmãos de José não sabiam, a princípio, que o seu próprio irmão era o provedor deles. Jamais poderiam conceber a idéia de que o varão generoso do Egito, que os recebeu, seria seu irmão, pois estava revestido de glória, e por isso não o puderam identificar (Gn 42.8). Ainda hoje o Estado de Israel não pode reconhecer que o meigo carpinteiro de Nazaré provê o suprimento do povo.
2. A produção agrícola de Israel. … que eles usaram para Baal (v.8). Essa expressão pode mostrar a tristeza de um marido traído. Isso fala de ingratidão e traição. Eles atribuíam, como os demais adoradores de ídolos, a abundância de sua produção e suas riquezas a Baal, ver comentários 2.13; 9.1. A palavra hebraica aqui é Baul, que significa “marido, dono, senhor, amo”. Nos cultos à fertilidade, eles ofereciam a Baal os víveres e as riquezas recebidas de Jeová, pois reconheciam Baal como seu amo, seu dono e seu marido.
Ainda hoje esse é o comportamento do ser humano. Dificilmente um profissional bem sucedido ou um mega-empreSário se lembra de agradecer a Deus ou de oferecer oferta ao Deus Criador dos céus e da terra que proporcionou-lhes tanto sucesso. Na cabeça da maioria deles, tudo isso adveio apenas de sua própria capacidade, trabalho ou esperteza. Muitas vezes oferecem suas ofertas ou doações a organizações que trabalham contra a obra de Deus.
Portanto, tornar-me-ei e, a seu tempo, tirarei o meu grão e o meu mosto, no seu determinado tempo; e arrebatarei a minha lã e o meu linho, com que cobriam a sua nudez [2.11] (2.9).
3. A maldição da carestia. … tirarei o meu grão e o meu mosto, no seu determinado tempo… (v.9). Visto que não queriam reconhecer a verdadeira fonte de seus víveres, de suas riquezas e da abundância de suas colheitas, eles deveriam ficar privados dessas bênçãos no tempo determinado. Quando uma nação peca contra Deus Ele torna instável o sustento do pão e envia contra ela fome, e tanto homens como animais serão ceifados dela (Ez 14. 13). E, agora, descobrirei a sua vileza diante dos olhos dos seus namorados, e ninguém a livrará da minha mão [2.12] ( 2.10).
4. A humilhação de Israel diante dos seus vizinhos. … descobrirei a sua vileza diante dos olhos dos seus namorados… (v. 10). Por causa de sua infidelidade a Jeová eles vão ser expostos à vergonha e à humilhação diante das nações. Jeová vai privá-los de alimento e vestimenta, e assim nada terão para oferecer nos altares de Baal.
E farei cessar todo o seu gozo, e as suas festas, e as suas luas novas, e os seus sábados, e todas as suas festividades [2.13] ( 2.11).
5. O fim da alegria de Israel todas as suas festividades (v. 11). As festas eram anuais, Páscoa, Pentecostes e Tabernáculos; mensais e semanais. Essas solenidades foram estabelecidas por Jeová, através de Moisés (Dt 16.16). Nelas o povo manifestava sua alegria e cada um expressava seu sentimento religioso e sua gratidão a Jeová. Eram festas solenes com significados espirituais profundos na vida da nação. O profeta conclui com a expressão todas as suas festividades. Isso parece indicar que Israel misturava suas festas religiosas com as festas pagãs dos cananeus. A palavra profética anuncia o fim de tudo isso, ver comentário 9.5.
E devastarei a sua vide e a sua figueira, de que ela diz: É esta a paga que me deram os meus amantes; eu, pois, farei delas um bosque, e as bestas-feras do campo as devorarão [2.14] (2.12).
6. A ruína de Israel. E devastarei a sua vide e a sua figueira… (v. 12). A prosperidade de Israel no Velho Testamento sempre foi representada pela vide e pela figueira (1 Rs 4.25; Jl 2.22; Zc 3.10). Essa mensagem indicava fome e miséria sobre o povo. Jeová prometeu devastar tudo como castigo pela infidelidade do povo. A razão dessa devastação era o baalismo. Depois do cativeiro as terras ficaram abandonadas e o seu plantio foi devorado pelos animais.
E sobre ela visitarei os dias de Baal, nos quais lhe queimou incenso, e se adornou dos seus pendentes e das suas gargantilhas, e andou atrás de seus namorados, mas de mim se esqueceu, diz o SENHOR (2.15] (2.13).
7. O deus Baal. E sobre ela visitarei os dias de Baal, nos quais lhe queimou incenso… (v. 13). Havia um número interminável de deuses nas nações vizinhas de Israel. O nome “Baal”, aqui nesse versículo, é plural no texto hebraico baalim, que nossas versões da Bíblia trazem muitas vezes baalins, que seria redundância, eram divindades pagãs cultuadas de diversas maneiras pelos cananeus.
Os baalins exerceram mais influências nos filhos de Israel do que qualquer outro deus das nações vizinhas. Baal era também conhecido pelas cidades onde eram cultuados: Baal-Peor, da cidade de Peor (Dt 4.3; Os 9.10), Baal-Meon, da cidade de Meon (Nm32.38; Ez 25.9); Baal-Zefon (Nm 33.7) e assim por diante.
a) Baal Berite e Baal Zebube. No baalismo se praticava, em seus rituais, a chamada “prostituição sagrada”, culto à fertilidade, pois a prática sexual era cultuada por ser o sexo responsável pela reprodução dos seres vivos (Jz 8.33). A prostituição era tanto física como espiritual (4.13,14). O nome “Baal Berite” significa “senhor da aliança ou do concerto”, às vezes é mencionado só por Berite (Jz 9.46). Baal Zebube era o deus de Ecrom, cidade dos filisteus e cujo nome significa “senhor das moscas” (2 Rs 1.2-3, 6, 16), pois diziam que protegia o povo das pragas de moscas. Alguns expositores da Bíblia afirmam que desse nome surgiu o nome Beel-Zebu, o príncipe dos demônios (Mt 12.24).
b) Outras divindades fusas. Quemós ou Camós, divindade dos moabitas (Jz 11.24; 1 Rs 11.33). Malcan ou Milcom, a maioria afirma que é o mesmo deus Moloque adorado por outro nome, em cujos rituais ofereciam sacrifícios de crianças. Isso parece ser confirmado na Bíblia, compare os versículos 5, 7 e 33 do capítulo 1 1 de 1 Reis. Dagon, divindade nacional dos filisteus (Jz 16.23-24; 1 Sm 5.7) e Astarote, deusa dos sidônios (1 Rs 11 .5,33).
O baalismo era incompatível com a religião dos hebreus por várias razões. Eles eram monoteístas, portanto a adoração a divindades falsas era crime e pecado previsto na lei de Moisés (Êx 20.3-5). A liturgia desses cultos era de baixa moral e imoralidade conflitava com a ética dos hebreus, prevista na lei. Assim como os costumes mundanos conflitam com a ética cristã evangélica.
O POVO REJEITOU O CONHECIMENTO DEUS (4.4-6)
Todavia, ninguém contenda, nem qualquer repreenda; porque o teu povo é como os que contendem com o sacerdote (4. 4).
1. A contenda. Todo mundo acusava todo mundo. Parece que cada um se achava no direito de reprovar o outro, visto que os sacerdotes deveriam instruir o povo e não o faziam. Visto que os líderes religiosos não tomavam providências da situação caótica da sociedade, pois estavam na mesma condição pecaminosa do povo (4.9). Por causa disso o povo acusava o sacerdote dessa omissão.
….o teu povo é como os que contendem com o sacerdote (v.4). O texto sagrado, porém, permite ainda outra interpretação. Que o povo não devia intervir nesses assuntos, que são peculiaridades de Jeová. O homem está proibido de falar em seu próprio nome. O povo está sendo reprovado porque contende com o sacerdote. O que tudo indica é que o povo havia perdido a confiança no sacerdote a ponto de discutir com ele.
Por isso, cairás de dia, e o profeta contigo cairá de noite; e destruirei a tua mãe (4.5).
2. O aviso da destruição da nação. A menção de dia e noite significa que o sacerdote e o profeta estavam vulneráveis e que a qualquer momento, qualquer hora do dia e da noite, cairiam sob o juízo divino. Se o sacerdote, aqui, estava envolvido com idolatria, prostituição, mentira e violência, o que tudo indica, a situação era crítica. Embora a palavra hebraica, navi, “profeta”, aqui, pode ser uma referência aos falsos profetas, é o aviso da destruição da nação. A expressão … destruirei a tua mãe diz respeito à queda da capital das Dez Tribos, Samaria. Pode também, segundo o Dr. Adam Clarke, ser urna referência a Jerusalém.
O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos (4.6).
3. Resultados da falta do conhecimento de Deus. O mesmo verbo hebraico usado na parte final do v. anterior para “destruir”, damah, nidimu ami “destruído foi o meu povo”. Essa catástrofe veio em decorrência do indiferentismo religioso que levou o povo a não se interessar mais pelas coisas de Deus e nem pelo conhecimento da lei de Moisés. O povo perdeu a visão espiritual. Israel que foi constituído por Jeová como “propriedade peculiar dentre todos os povos reino sacerdotal e povo santo” (Êx 19.5,6), foi destruído e entregue nas mãos dos pagãos.
As coisas de Deus devem ser levadas a sério e com isso não se brinca. A Bíblia diz que de Deus não se zomba (01 6.7). O profeta Oséias diz que, quem semeia vento colhe tempestade (8.7). A Europa Ocidental, que experimentou grandes avivamentos a partir da Reforma Protestante e prestou relevantes serviços ao reino de Deus, hoje está morta pela frieza espiritual e pelo indiferentismo religioso porque rejeitou o conhecimento de Deus. Os líderes religiosos substituíram a fé pelo cientificismo, formou uma geração de céticos: “como é o povo, assim será o sacerdote” (v. 9). Hoje a Europa é uma “terra seca” e precisa ser reevangelizada. ….porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim… (v.6). Isso parece ser uma referência ao sacerdorte Amazias, que ministrava o culto pagão em Betel (Am 7.10-17). Os sacerdotes e levitas foram constituídos para o ministério do ensino.
Era dever deles ensinar o povo (Dt 33.10; Ez 44.23; Ml 2.7), no entanto, estavam mergulhados nesse lamaçal de pecado. Rejeitaram a Jeová e a sua palavra, desprezaram a lei de Moisés, e por isso foram rejeitados para que não exercessem o sacerdócio diante de Deus. visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos (v.6). O papel da nação de Israel como reino sacerdotal terminou com a dispensação da graça. Hoje essa tarefa de sacerdote, de ensinar o povo as coisas de Deus e interceder por ele, é da Igreja (1 Pe 2.9,10). O tempo dos filhos de Israel ainda vai chegar, depois da jornada da Igreja.
O SIGNIFICADO DO AMOR DE DEUS (3:1,2)
O capítulo 3 é o menor de todos os 14 capítulos do livro de Oséias. O grande amor do profeta por Gomer representa o grande amor de Deus para com Israel e com a humanidade. A parte final do texto sagrado é escatológico.
E o SENHOR me disse: Vai outra vez, ama uma mulher, amada de seu amigo e adúltera, como o SENHOR ama os filhos de Israel, embora eles olhem para outros deuses e amem os bolos de uvas. E a comprei para mim por quinze peças de prata, e um ômer de cevada, e meio ômer de cevada (3.1 ,2).
1. Amar uma esposa infiel? … Vai outra vez, ama mulher amada de seu amigo e adúltera… (v.]). Essa mulher é a mesma Gomer, que se casou com o profeta Oséias. “Amigo”, aqui, é o mesmo que amante, a mesma palavra empregada para “amantes” em Jeremias 3.1, e “namorados” no v. 5 do capítulo 2 de Oséias. Apesar do sentido de “marido, companheiro”, em outras parte do Velho Testamento (Jr 3.20), o contexto aqui indica “amante” Gomer se prostituiu, deixou seu marido e foi atrás de seus amantes ou namorados. Da mesma forma a nação de Israel se prostituiu, no sentido literal e espiritual, pois os cultos pagãos eram imorais (4.13,14; Jz 8.33). Israel deixou o seu Deus Jeová, que numa linguagem figurada, é o marido de Israel, para cultuar às divindades falsas, os seus amantes.
2. Fomos alvejados pelo amor de Deus. … como o SENHOR ama os filhos de Israel… (v. 1). Fomos alvejados pelo amor de Deus. O verbo amar, em hebraico ahabh, aparece 4 vezes só nesse v. 1. Falando-se de amor isso inclui também perdão, reconciliação, redenção. Por isso que Oséias é conhecido como o apóstolo João do Velho Testamento. A nossa situação não era diferente. Deus nos amou quando éramos ainda pecadores (Rm 5.8; 1 Jo 4.19). …embora eles olhem para outros deuses e amem os bolos de uvas (v. 1). Apesar de os filhos de Israel olharem para outros deuses e amarem bolos de uvas, que eram oferecidos aos deuses, principalmente à “Rainha dos Céus” (Jr 44. 19), um ato de infidelidade e traição, Jeová, no entanto, amou-os de maneira tal que proveu um meio para redimi-los. Mesmo sendo uma nação adúltera, Deus continuava amando o povo de Israel.
3. O resgate. E a comprei para mim … (v.2). Por que Oséias tinha de comprar Gomer, sendo sua mulher? O relato desse casamento não traz pormenores. O certo é que Gomer precisava ser redimida. O preço de um escravo era 30 moedas de prata (Êx 21.32), o preço que nosso Senhor Jesus Cristo foi vendido por Judas Iscariotes (Mt 26.15; 27.3, 9). Oséias não tinha todo esse dinheiro, deu a metade em dinheiro e a metade em víveres. Fica claro, com isso, o esforço de Oséias para restaurar a esposa. Jesus assumiu a forma de servo para pagar a nossa redenção a preço de sangue (Fp 2.7;l Pe 1.18, 19). Nós mesmos não pagamos nada (Is 55.1-3).

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus

BIBLIOGRAFIA

Comentário Bíblico Beacon CPAD

Comentário Bíblico Oséias - Ezequias Soare

Publicado no Blog do Ev. Isaias de Jesus




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Oséias - A Fidelidade no Relacionamento com Deus - Pr. Geraldo Carneiro Filho

ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL
IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS EM ENGENHOCA
NITERÓI - RJ
LIÇÃO Nº 02 - DATA: 14/10/2012
TÍTULO: “OSÉIAS – A FIDELIDADE NO RELACIONAMENTO COM DEUS”
TEXTO ÁUREO – II Cor 11.2
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Os 1.1-2; 2.14-17, 19-20
PASTOR GERALDO CARNEIRO FILHO
e-mail: geluew@yahoo.com.br
blog: http://pastorgeraldocarneirofilho.blogspot.com/

I – INTRODUÇÃO:

Oséias viveu no século VIII a.C., no reinado de Jeroboão II, que retomou os territórios anexados pela Assíria. No plano interno, apesar da prosperidade econômica, seu governo foi marcado pela corrupção e pela busca desenfreada de prazer e lucro. É nesse ambiente que Oséias, como também Amós, vai exercer sua atividade profética e anunciar o processo que Iavé vai abrir “contra os habitantes do país, porque não há fidedignidade, nem amor, nem conhecimento de Deus (…) aumentam o perjúrio, a mentira, o assassínio, o roubo e o adultério; sangue derramado soma-se a sangue derramado”. Normalmente, os períodos de grandes prosperidades são acompanhados de degradação moral e espiritual. A profecia de Oséias é muito atual.

II - ESBOÇO DO CONTEÚDO DO LIVRO DO PROFETA OSÉIAS:

• Autor: Oséias significa Salvação.

• Data: 715-710 a.C.

• Tema: O Julgamento Divino e o Amor Redentor de Deus.

(1) - O casamento do profeta retrata as relações de Israel com o seu Deus - Os 1:1-3:5

(2) - Oséias denuncia a corrupção, o orgulho e a idolatria de Israel - Os 4:1-8:14

(3) - A certeza do julgamento - Os 9:1-10:15

(4) - O triunfo do amor e da misericórdia de Deus - Os 11:1-11

(5) - A infidelidade e a rebelião de Israel resultarão em julgamento e destruição - Os 11:12-13:16

(6) - A misericórdia de Deus para com um povo arrependido - Os 14:1-9

• POR QUE LER ESSE LIVRO? – Porque conta uma história tão atual quanto os programas de entrevistas que vemos hoje no rádio e na televisão – a história do amor de um homem para com a esposa infiel. Mas a história do profeta Oséias e da esposa, Gômer, ilustra outra história de amor: O AMOR DE DEUS POR NÓS, mesmo quando nossos pecados Lhe partem o coração. Aqui temos um retrato de um Deus que anseia por perdoar-nos quando nos voltamos para Ele, arrependidos.

• O QUE ACONTECIA NA ÉPOCA? – Jeroboão foi um rei ímpio, cujo domínio produzira uma sociedade materialista, imoral e injusta. Depois dele, seis reis governaram Israel dentro de um período de 25 anos. Esse foi o crepúsculo do Reino do Norte.

• O QUE SE DEVE BUSCAR EM OSÉIAS? – Não nos espantemos com a prostituição, com a infidelidade e com a tristeza nesse livro.

• Observemos as consequencias tenebrosas do pecado, quando Deus profere Suas acusações formais contra o Seu povo. Mas também procuremos enxergar, além dos sofrimentos de Oséias (e da dor de Deus), um exemplo de amor que não desiste – em primeiro lugar, no amor de Deus para com o Seu povo Israel e, em segundo, no amor de Deus para conosco.

• Procuremos observar de que formas Oséias amou a esposa, que não o merecia, e procuremos refletir no fato de que Deus age da mesma forma conosco. Ou seja: Não há pecado que Deus não perdoe, desde que exista arrependimento, porque…:

(1) - Deus ama o Seu povo (Os 11:1 cf II Cor 5:14);

(2) - O Deus de amor fala ao Seu povo apresentando o Seu apelo final e insistente (Os 12:6; 14:1-2 cf Mt 3:2; Mc 1:15; At 3:19);

(3) - Deus faz tudo isso através de preciosas promessas (Os 14:4-7, 9).

III - OS NOMES DOS FILHOS DE GÔMER CONSTITUEM A PERSONIFICAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS A ISRAEL E A NÓS; CADA UM DELES É UM SÍMBOLO VIVO E UM PRESSÁGIO:

(1) - JEZREEL = DEUS SEMEIA E DEUS ESPALHARÁ (II Rs 10:1-11) - O presságio é um sinal de condenação tanto da casa de Jeú como de Israel.

• Jezreel era a cidade real de Acabe. Lá praticou Jeú as suas maiores crueldades e os assírios derrotaram os exércitos de Israel. O profeta Oséias condena esse ato, ainda que tivesse sido ordenado por Deus (II Rs 9:1-10), pois Jeú o havia cometido no espírito errado. Seu motivo não foi o de obedecer a Deus, mas o de promover sua própria ambição.

• Logo, o nome do primeiro filho de Oséias tinha duplo sentido:

(A) - Os pecados cometidos no vale de Jezreel por Jeú seriam punidos e Israel experimentaria a derrota; e

(B) Depois que o povo de Israel fosse disperso por causa do pecado, Deus o plantaria ou semearia novamente em sua própria terra (Jr 18:7-10 cf Is 49:13-17)

(2) - LO-RUHAMAH = DESFAVORECIDA ou NÃO COMPADECIDA - Esse nome revela as suspeitas crescentes de Oséias acerca da imoralidade de sua esposa.

• O presságio é um sinal da retirada da MISERICÓRDIA E A COMPAIXÃO DE DEUS; é um quadro do divino desprazer com a apostasia de Israel, ficando aquele povo amadurecido para o juízo divino. (Mt 23:37-39)

(3) - Lo-AMMI = NÃO MEU POVO - As suspeitas do profeta são então confirmadas e o nome da terceira criança sugere completa interrupção do vínculo matrimonial.

• O sinal é que Deus já não chamaria mais Israel de Seu povo. Israel podia ser nominalmente do Senhor, mas na realidade era filha do seu tempo e de seu mundo pagão.

• Da mesma forma, o Senhor podia ser nominalmente o seu Deus. Mas, considerando que Ele não aceita ser partilhado, a presença de outros deuses nega categoricamente esse relacionamento.

• Oséias profeticamente declara que Israel seria rejeitado. Não seria uma rejeição permanente (Os 2:3), mas resultaria no exílio e na destruição de Israel como entidade política.

• Logo… :

(A) - O primeiro filho fôra do próprio profeta Oséias: sua esposa “LHE DEU UM FILHO” (Os 1:3).

(B) - O segundo e o terceiro não foram declarados como sendo do profeta Oséias: o “LHE” está ausente em Os 1:6, 8.

• Assim, a alegria da paternidade foi profundamente prejudicada, e os segundo e terceiro filhos foram provas vivas de invasão no casamento (ou simbolicamente ISRAEL ADORANDO A OUTROS DEUSES)

- Concluindo, podemos notar um clímax formado pelos nomes das três crianças:

1) - O primeiro filho (JEZREEL) simboliza a punição;

2) - O segundo (LO-RUHAMAH), simboliza a retirada da afeição divina; e

3) - O terceiro (Lo-AMMI), simboliza a separação completa.

IV – O QUE NOS MOSTRA O LIVRO DE OSÉIAS:

(1) - O POVO INFIEL VIVE EM TOTAL DECADÊNCIA - A infidelidade é pecado contra Deus. A decadência de um povo está intimamente ligada à sua vida de pecado. Infidelidade e decadência andam juntas quando se tem:

(1.1) - UM POVO SEM ENTENDIMENTO - Ao povo faltava o conhecimento da Lei de Deus (Os 4:6) e isto levava ao declínio diante do Senhor (II Cor 11:3);

(1.2) - UM POVO SEM ESPIRITUALIDADE - Oséias descreve o orgulho (Os 5:5), o mundanismo (Os 7:8), a corrupção (Os 9:9), a imoralidade, prostituição, os homicídios e furtos (Os 4:2; 7:1; 10:4), que são exemplos da falta de espiritualidade de um povo que se considera auto-suficiente e julga Deus desnecessário à vida (Sl 138:6; I Pe 5:5; Pv 16:18).

(1.3) - UM POVO SEM DIREÇÃO - Substituindo Deus por outros deuses, o povo vive sem direção (Os 4:17; 8:4; 13:2). Sem a direção de Deus, servindo a outros ídolos, nenhum povo terá condições certas para a vida.

(2) - O POVO INFIEL MERECE A DISCIPLINA DO SENHOR - Primeiro Deus repreende a liderança: sacerdotes, reis, príncipes e depois o povo infiel, derramando sobre todos o Seu furor (Os 5:10). O povo haveria de perder a unidade nacional e sofrer o exílio (Os 9:3, 6; 10:1-8); o luto, a aflição e a miséria (Os 4:3; 9:11-12); passaria por vergonha (Os 4:7) e outras decepções que são descrições reais das tristezas e tragédias enviadas por Deus para disciplinar o povo e chamá-lo ao arrependimento. (Gl 6:7).

(3) - O POVO INFIEL PODE SER RESGATADO – Não há pecado que Deus não perdoe, desde que exista arrependimento. (1) Deus ama o Seu povo (Os 11:1 cf II Cor 5:14); (2) O Deus de amor fala ao Seu povo apresentando o Seu apelo final e insistente (Os 12:6; 14:1-2 cf Mt 3:2; Mc 1:15; At 3:19); (3) Deus faz tudo isso através de preciosas promessas (Os 14:4-7, 9).

V - CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Oséias nunca viu o cumprimento da sua profecia final, mas pela fé aceitou que um dia o Senhor triunfaria na vida de Israel. Deus lhe tinha dado a vitória no seu lar, pelo triunfo do amor inabalável. Gômer estava de volta ao lar. Os filhos não levavam mais os nomes feios. Foram transformados em nomes abençoados. A família estava unida novamente. Com toda serenidade, Oséias aguardava o desenrolar do drama de Israel, com a certeza de que um dia Deus restauraria o Seu povo. O profeta de coração quebrantado chegou a aprender que o coração do Senhor é também assim.

FONTES DE CONSULTA:

Revista Educação Cristã – Volume III – SOCEP – Sociedade Cristã Evangélica de Publicações Ltda

Gilberto, Antônio – A Bíblia Através dos Séculos – CPAD

Bíblia de Estudo Vida

A Bíblia de Estudo Pentecostal – CPAD

A Mensagem dos Profetas Menores – ABU – Dionísio Pape

Publicado no blog Escola Biblica Dominical para Todos




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Oséias - A Fidelidade no Relacionamento com Deus - Pr. Altair Germano



PALAVRAS-CHAVE- Prostituição (hb. zenunim): adultério, prostituição, devassidão, luxúria, fornicação. No sentido figurado é usada para a prática da idolatria.

- Adultério (hb. na’aph): cometer adultério. - Fidelidade (hb.‘emunah): substantivo utilizado para descrever o caráter verdadeiro e firme de Deus. - Conhecimento (hb. da‘ath): compreensão, saber, discernimento, percepção e noção (cf. Os 4.1 e 6).

- Conhecer (hb. yadha‘): saber, conhecer de maneira relacional e experimental, conhecer no nível interpessoal (cf. Os 6.3; Gn 29.5; Jó 19.13).

INTRODUÇÃO

Oseias iniciou seu ministério profético no final de um período de grande prosperidade material, durante o reinado de Jeroboão II, rei de Israel (2Rs 14.23-27). No campo espiritual as coisas não iam tão bem, contando com a conivência da liderança da nação (2 Cr 27.2; 2 Rs 15.35), que tolerava e apoiava a idolatria, e com isso a prostituição espiritual era fortalecida e perpetuada.[1]

Para se ter uma ideia da gravidade dos pecados da nação, os termos prostituição, adultério e seus derivados aparecem cerca de 23 vezes no livro com conotação espiritual.

No livro do profeta Oseias estão presentes a denúncia dos pecados da nação, a sentença dos juízos de Deus por causa desses pecados, e a promessa de um tempo de restauração por causa da fidelidade do Senhor.

Os juízos de Deus podem ser conferidos conforme os textos de Oseias 1.4-9; 2.9-13; 3.4; 4.3; 4.7-10; 5.1-15; 7.12-14; 8.5-9; 10.5; 12.14; 13.1-3, 12-16. As promessas de restauração são citadas em Oseias 1.1; 2.14-23; 3.5; 6.1-3; 10.12; 14.4-9.

OS PECADOS DE ISRAEL DENUNCIADOS POR OSEIAS

Nos estudos sobre os Doze Profetas Menores será de fundamental importância detectar os erros ou pecados de Israel, e perceber como os tais se reproduzem na vida da Igreja, para que dessa maneira não incorramos na repetição e na insistência tola dos mesmos. Passemos então a uma breve descrição e análise dos fatos:

- Falta de reconhecimento de que foi o Senhor quem fez Israel prosperar (2.5; 13.6). A soberba pode fazer com que creditemos a nossa prosperidade material aos nossos próprios esforços, ou a ajuda de terceiros (namorados), fazendo com que esqueçamos de que o Senhor é a verdadeira fonte de bênção e riquezas materiais e espirituais. Reconheçamos que tudo vem dele, por sua graça e para a sua glória!

- Olhares lascivos para outros deuses (3.1). Dentro da metáfora da prostituição espiritual, que desencadeou a decadência moral e a crise social em Israel, é preciso ter cuidado para o que se olha, para quem se olha e como se olha. Somos diariamente seduzidos espiritualmente e moralmente, e se não vigiarmos poderemos ser atraídos para “outros deuses”, ou seja, para coisas que ocuparão o lugar do Senhor em nosso coração, assumindo a condição de “deus”, dentre as quais podemos citar os bens materiais, a riqueza, a fama, o poder, a imoralidade sexual e outros males. Como diz a canção evangélica infantil: “Cuidado no olhinho no que vê, cuidado no olhinho no que vê, o Salvador do céu está olhando pra você, cuidado no olhinho no que vê”. É preciso voltar o olhar para o Senhor (4.10; Is 45.22, Hb 12.1-2).

- A multiplicação dos pecados morais e sociais (4.2, 10-14). Perjúrios, mentiras, enganos, homicídios, adultérios, prostituição, luxúria, glutonarias, incontinência, bebedices, desobediência, corrupção, etc. A lista aqui se assemelha muito com as obras da carne de Gálatas 5.19-21. Como se pode ver, os tempos mudam, mas os pecados do povo de Deus permanecem os mesmos.A multiplicação dos pecados morais e sociais tem relação direta com o pecado espiritual de rebeldia e insubmissão a Deus (4.12).Os pecados morais e sociais que hoje se avolumam na Igreja são decorrentes do baixo padrão de vida espiritual dos líderes e do povo em geral.

- A soberba e a autoconfiança (7.10; 10.13). Soberba e autoconfiança caminham de mãos dadas. Dos dois sentimentos nasce o autoengano. Quando associamos tudo isso, o que temos são pessoas que resolvem trilhar os próprios caminhos e confiar nas próprias forças. Igrejas, ministérios, pastores, líderes em geral, membros e congregados caíram nos laços da soberba, da autoconfiança e do autoengano, pensando ser quem não são, pensando ter o que não possuem, pensando fazer o que não podem. Fizeram-se deuses, tornaram-se senhores de si mesmos, estabeleceram o próprio caminho a seguir, a própria vontade a obedecer. O juízo de Deus virá sobre os que não se arrependerem dos seus pecados.

- As alianças reprováveis (7.11). A falta de entendimento faz com que se busque na força do poder temporal o apoio aos projetos institucionais e a proteção da nação (povo de Deus). Precisamos discernir e perceber os limites da relação entre a igreja e o Estado, e entre a igreja e as instituições privadas. Em nome do benefício à “obra”, e em nome da preservação do direito do crente enquanto cidadão, nada justifica a negociação de princípios e de valores cristãos.Nada abona a compra e venda de privilégios ou influências com políticos ou empresários. O Senhor é o nosso provedor e protetor, e duvidar disso é duvidar de seu caráter, verdade, bondade e santidade (7.15).

- O problema com uma liderança não estabelecida por Deus e corrompida (8.4; 9.8-9). A declaração é de que “Eles fizeram reis, mas não por mim; constituíram príncipes, mas eu não o soube;” é grave. Nos dias atuais vivemos a mesma realidade. O povo está fazendo líderes para si, desejando com isso que os tais aprovem e apoiem os seus pecados. Os referidos líderes não possuem nenhuma autoridade espiritual, pois não foram estabelecidos pelo Senhor. São líderes que vivem ou apoiam o pecado do adultério, da união homossexual, do divórcio, da injustiça social, da pluralidade religiosa, do liberalismo teológico e outros. Há líderes e igrejas para todos os gostos e desgostos. E o que falar dos profetas na atualidade (Ef 4.11)? Assim como nos dias de Oseias, muitos já perderam a autoridade profética por se venderem por tão pouco, por estarem a serviço de lideranças corruptas e corruptíveis. Há profetas mercenários, que recebem dinheiro ou privilégios para profetizar conforme a conveniência daqueles que pagam os seus salários ou cachês. Dessa forma: “o profeta é como um laço de caçador de aves em todos os seus caminhos, um inimigo na casa do seu Deus”.

- A edificação de palácios e fortalezas (8.14). A segurança de uma instituição cristã não repousa na riqueza e no valor do seu patrimônio físico e material. Chamo mais uma vez a atenção para toda a sorte de abuso e desperdício dos recursos financeiros da igreja na construção de megas catedrais e de outras imponentes edificações. Sem generalismo ou denuncismo algum, com temor e tremor, pergunto aos nossos amados líderes e companheiros: Não estaríamos cedendo às pressões do “mercado” evangélico, onde o esplendor arquitetônico vale mais do que o próprio culto, e o luxo mais do que a simplicidade e a praticidade? Não estamos cedendo à tentação de “eternizar” os nossos nomes através da construção de obras faraônicas, nabucodonosorianas e constantinianas? Não estamos tentando dar demonstrações de força ministerial, mediante uma competição onde quem faz um templo maior e mais luxuoso é quem parece ter e poder mais? Não poderíamos estar canalizando mais recursos financeiros da igreja para a obra missionária e social? Estamos de fato construindo, edificando “palácios e cidades fortes” para a glória de Deus? Que cada líder e igreja faça uso de sua consciência cristã para responder a tais questões.
Não me coloco aqui na condição de juiz, mas na posição de atalaia do altíssimo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Na base de todos os problemas e dos pecados da nação estava o descaso, a negligência, a falta de conhecimento de Deus (hb. da‘ath), ou seja, do discernimento e da percepção de sua ação e vontade. O conhecimento (hb. yadha‘) no sentido de relação pessoal, amizade e intimidade com o Criador estava também comprometido:

Ouvi a palavra do SENHOR, vós, filhos de Israel, porque o SENHOR tem uma contenda com os habitantes da terra, porque não há verdade, nem benignidade, nem conhecimento de Deus na terra. (4.1)
O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos. (4.6)

Diante da clareza dos fatos, entendo que a melhor maneira de concluir o presente texto é com a própria exortação do profeta Oseias, e com uma mensagem de esperança:

Conheçamos e prossigamos em conhecer o SENHOR: como a alva, será a sua saída; e ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra. (6.3).

Natal-RN, 05/10/201

Publicado no Blog do Pr. Altair Germano




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Oséias - A Fidelidade no Relacionamento com Deus - Luciano de Paula Lourenço

Texto Básico: Oséias 1:1,2;2:14-17,19,20

INTRODUÇÃO

A relação de Deus com Israel era como uma aliança conjugal. Israel havia se “casado” com o Senhor no Sinai. Israel prometeu a Deus fidelidade. Porém, logo se desviou da aliança e começou a flertar com outros deuses. Não tardou para que Israel abandonasse a Deus, seu “marido”, para prostituir-se com outros deuses. A idolatria é infidelidade a Deus; é rompimento da aliança; é quebra dos votos de fidelidade. A idolatria é uma torpeza.
A profecia de Oséias foi a última tentativa de Deus em levar Israel a arrepender-se de sua idolatria e iniquidade persistentes, antes que Ele entregasse a nação ao seu pleno juízo. A ideia central da mensagem de Oséias é que o amor poderoso e inextinguível do Senhor por Israel não descansará enquanto não reconciliar toda a nação consigo. Mas, consequências trágicas se seguem quando o povo persiste em desobedecer a Deus, e em rejeitar-lhe o seu amor redentor.

I. O LIVRO DE OSÉIAS

1. Contexto histórico. O contexto histórico do ministério de Oséias é situado nos reinados de Jeroboão II, de Israel, e de quatro reis de Judá (Usias, Jotão, Acaz e Ezequias; ver Oséias 1:1), isto é, entre 755 e 715 a.C. As datas revelam que o profeta não somente era um contemporâneo mais jovem de Amós, como também de Isaías e Miquéias. O fato de Oséias datar boa parte de seu ministério mediante uma referência a quatro reis em Judá, e não aos breves reinados dos últimos seus reis de Israel, pode indicar ter ele fugido do Reino do Norte a fim de morar na terra de Judá, pouco tempo antes de Samaria ter sido destruída pela Assíria (722 a.C.). Ali, compilou suas profecias no livro que lhe leva o nome (fonte:Bíblia de Estudo Pentecostal).

Oséias, cujo nome significa “salvação”, é identificado como filho de Beeri (Os 1:1). Nada mais se sabe do profeta, a não ser os lances biográficos que ele mesmo revela em seu livro. Oséias profetizou ao reino de Israel(reino do Norte – formado das 10 tribos). O ministério de Oséias, ao Reino do Norte, seguiu-se logo depois ao ministério de Amós que, embora fosse de Judá, profetizou a Israel. Amós e Oséias são os únicos profetas do Antigo Testamento, cujos livros foram dedicados inteiramente ao Reino do Norte, anunciando-lhe a destruição iminente. Oséias é um dos dois únicos profetas do Reino do Norte a terem um livro profético no Antigo Testamento(o outro é Jonas).

Oséias foi vocacionado por Deus a profetizar ao Reino de Israel, que desmoronava espiritual e moralmente, durante os últimos quarenta anos de sua existência, assim como Jeremias seria chamado a fazer o mesmo em Judá. Quando Oséias iniciou o seu ministério, durante os últimos anos de Jeroboão II, Israel desfrutava de uma temporária prosperidade econômica e de paz política, que acabariam por produzir um falso senso de segurança. Porém, logo após a morte de Jeroboão II(753 a.C.), a nação começa a deteriorar-se, e caminha velozmente à destruição em 722 a.C. Passados quinze anos da morte do rei, quatro de seus sucessores seriam assassinados. Decorridos mais quinze anos, Samaria seria incendiada, e os israelitas deportados à Assíria e, posteriormente, dispersados entre as nações.

Foi nesse cenário de luxo e de lixo, de glória humana e opróbrio espiritual, de ascendência econômica e decadência moral, que Deus levantou Oséias para confrontar os pecados da nação e chamá-la ao arrependimento. A riqueza sem Deus é pior do que a pobreza. A riqueza sem Deus afasta o homem da santidade mais do que a escassez.

Deus ordenou a Oséias que tomasse “uma mulher de prostituições”(Os 1:2) a fim de ilustrar a infidelidade espiritual de Israel. Embora há os que interpretem o casamento do profeta como alegoria, os eruditos conservadores consideram-no literal.

Nesse declínio moral de Israel, todas as classes da sociedade se desmoralizaram. Os príncipes, amantes da riqueza e do luxo, viviam desenfreados no pecado. Os sacerdotes, que deveriam ensinar a verdade ao povo, tornaram-se bandidos truculentos e cheios de avareza.

As coisas foram de mal a pior, até que o profeta exclamou: “não há verdade, nem amor, nem conhecimento de Deus. O que só prevalece é perjurar, mentir, matar, furtar e adulterar, e há arrombamentos e homicídios sobre homicídios” (Os 4:1,2).
A religião de Israel tornou-se sincrética, e o povo misturou o culto a Deus com o culto a Baal. A idolatria sensual desembocou na mais repugnante imoralidade. A vida Familiar caiu no abismo da dissolução. Não resta dúvida de que Oséias viveu durante os tempos mais turbulentos e inquietos pelos quais a nação jamais passara. Os séculos passaram, e hoje ainda assistimos a esse mesmo desvio religioso denunciado por Oséias.

2. Estrutura. O Livro de Oséias é o primeiro dos Profetas Menores e o mais extenso deles. Como nenhum outro, este Livro aborda de forma eloquente o amor perseverante de Deus a um povo rebelde e recalcitrante. Ele contém cerca de 150 declarações a respeito dos pecados de Israel, sendo que mais da metade deles relaciona-se à idolatria. Mais do que qualquer outro profeta do Antigo Testamento, Oséias relembra aos israelitas que o Senhor havia sido longânimo e fiel em seu amor para com eles.

O Livro pode ser dividido em duas partes principais: A primeira parte, composta dos capítulos 1-3, descreve o casamento entre Oséias e Gômer. Os nomes dos três filhos são sinais proféticos a Israel: Jezreel (“Deus-espalha”), Lo-Ruama (“Não-compaixão”) e Lo-Ami (“Não-meu-povo”). A infidelidade da esposa de Oséias é registrada como ilustração da infidelidade de Israel. O amor perseverante de Oséias à sua esposa adúltera simboliza o amor inabalável de Deus por Israel. Se o casamento de Oséias com Gômer retratava o amor de Deus a um povo ingrato e infiel, os filhos de representavam o juízo de Deus a esse povo.

A segunda parte, composta dos capítulos 4-14, contém uma série de profecias que mostram o paralelismo entre a infidelidade de Israel e a da esposa de Oseías. Quando Gômer abandona Oséias, e vai à procura de outros amantes(cap. 1), está representando o papel de Israel ao desviar-se de Deus (caps. 4-7). A degradação de Gomer (cap. 2) representa a vergonha e o juízo de Israel (caps. 8-10). Gomer vai atrás de outros homens, ao passo que Israel corre atrás de outros deuses. Gomer comete prostituição física; Israel, prostituição espiritual. Ao resgatar Gomer do mercado de escravos (cap. 3), Oséias demonstra o desejo e intenção de Deus em restaurar Israel no futuro (caps. 11-14).
O Livro de Oséias enfatiza este fato: por ter Israel desprezado o amor de Deus e sua chamada ao arrependimento, o juízo já não poderá ser adiado.

3. Mensagem. O Livro de Oséias fala de julgamento e esperança. Cada uma das três partes principais do livro começa com a ameaça de juízo divino sobre Israel (Os 1:2-2:13; 4:1-10:15; 12:1-13:16) e termina com a promessa de restauração divina (Os 2:14-3:5; 11:1-11; 14:1-9).

O teor da profecia de Oséias é um testemunho dinâmico e severo contra o Reino do Norte por ter se apostatado do concerto firmado. Todos conheciam bem a corrupção que campeava pela nação no âmbito das questões públicas e particulares. O propósito de Oséias era o de convencer seus compatriotas sobre a necessidade de se arrependerem, restabelecerem a relação de concerto e dependerem do Deus paciente, compassivo e perdoador.

O próprio Deus chama o povo a voltar-se para ele: “Volta, ó Israel, para o Senhor teu Deus; porque pelos teus pecados estás caído. Tende convosco palavras de arrependimento e convertei-vos ao Senhor” (Os 14:1,2). Deus promete curar a infidelidade do povo (Os 14:3) e ser para ele o bálsamo restaurador (Os 14:5-7).

II. O MATRIMÔNIO

O matrimônio é uma feliz celebração do amor. É o santo mistério de duas pessoas que se tornam uma, o início de uma vida em comum e de compromissos. O casamento é um mandamento de Deus e ilustra seu relacionamento com seu povo. Portanto, não pode existir tragédia maior do que a violação desses votos sagrados.

Deus ordenou a Oséias que buscasse uma esposa e revelou-lhe antecipadamente que ela lhe seria infiel. Embora desse à luz muitos filhos, alguns deles seriam de outros pais. Em obediência a Deus, Oséias casou-se com Gômer e seu relacionamento com ela, a infidelidade dela e seus filhos tornaram-se exemplos vivos e proféticos de Israel.

Esse casamento é certamente um símbolo do adultério espiritual de Israel. A sua profanação por parte de Gômer, fez o profeta compreender o verdadeiro significado do pecado de Israel: adultério espiritual e até prostituição. O pecado do adultério tem sido definido como “busca de satisfação em relações ilícitas”. A prostituição é ainda pior, é o pecado de “prostituir bens superiores por causa de dinheiro e de lucro”. A prostituição é tanto física quanto religiosa. O povo de Israel era culpado de ambas.

O Rev. Hernandes Dias Lopes, em seu livro “Oséias”(o amor de Deus em ação), destaca duas interpretações principais acerca do casamento do profeta Oséias:

- Em primeiro lugar, Gômer era uma mulher casta antes do casamento, mas tornou-se infiel depois do matrimonio. Vários eruditos entendem que Gômer era uma mulher casta antes do casamento e só se prostituiu depois que contraiu matrimonio com Oséias. A razão principal para essa interpretação é que seria incompatível com o caráter santo de Deus ordenar a seu profeta algo moralmente reprovável e expor seu mensageiro a tal opróbrio.

Embora essa interpretação nos seja mais aceitável, não é isso que o texto diz. Vejamos: “Quando pela primeira vez falou o Senhor por intermédio de Oséias, então lhe disse: Vai, toma uma mulher de prostituições e terás filhos de prostituição; porque a terra se prostituiu, desviando-se do Senhor” (Os 1:2, ARA). Como Gômer, Israel começou como idólatra, “casou-se” com Jeová e acabou voltando à idolatria. Se Oséias tivesse se casado com uma mulher casta que mais tarde tornou-se infiel, a expressão “mulher de prostituições” em Oséias 1:2 deveria significar, então, “uma mulher com tendência ao meretrício que viria a prostituir-se posteriormente”, o que parece uma interpretação forçada desse versículo.

- Em segundo lugar, Gômer já era uma mulher prostituta antes do profeta se casar com ela. Embora esse fato ofereça algumas dificuldades e nos cause certo constrangimento, é exatamente isso que o texto afirma. Vários eruditos subscrevem essa posição. Oséias amava Gômer não com base em suas virtudes, mas apesar de seus pecados. É importante ressaltar que Oséias está representando o amor incompreensível de Deus a um povo infiel. Quando Deus chamou Abrão para formar por meio dele uma grande nação, tirou-o do meio de um povo idólatra. Israel continuou ao longo dos anos sendo infiel a Deus, quebrando sua aliança e indo após outros deuses. Ao se envolver com outros deuses, Israel adulterou, e o esposo podia receitá-lo. A insistência de Israel na idolatria, com várias divindades, configurava mais que adultério; era prostituição. O casamento estava terminado; havia motivo mais que justificado.

É importante destacar, ainda, que Oséias não desobedece, não questiona nem protela a ordem de Deus. O Senhor lhe disse: “Vai, toma uma mulher de prostituições e terás filhos de prostituição…” (Os 1:2). A resposta de Oséias é imediata: “Foi-se, pois, e tomou a Gômer…” (Os 1:3). Nada se diz a respeito dos sentimentos de Oséias nem sobre o processo pelo qual ele cumpriu a ordem. A palavra eficaz de Deus Jeová estava em ação. A desobediência seria inconcebível.

III. A LINGUAGEM DA RECONCILIAÇÃO

1. O casamento restaurado. Na ira, Deus se lembra da sua misericórdia e faz promessas de restauração ao seu povo. Os três oráculos desastrosos são totalmente alterados. O nome de cada filho é transformado, passando de sinal de juízo para sinal de graça.

De modo repentino, Oséias passa da tragédia para a promessa. Ele reúne palavras de muito conforto às suas sombrias predições. Nos textos de 1:10 a 2:1, o profeta prediz cinco grandes bênçãos a Israel: (a) crescimento nacional (Os 1:10a); (b) conversão nacional (Os 1:10b); (c) reunião nacional (Os 1:11a); (d) direção nacional (Os 1:11b); (e) restauração nacional (Os 2:1). Portanto, a restauração é maior do que a queda.

Por não ter ouvido a voz de Deus, Israel precisou receber a disciplina de Deus. O cativeiro tornou-se o amargo remédio da cura. O fracasso de Israel, porém, não destruiu os planos de Deus. Onde abundou o pecado do povo, superabundou a graça divina. O amor de Deus prevaleceu sobre a sua ira; seu povo foi restaurado, e sua infidelidade curada. Da noite escura do pecado brotou a luz da esperança.

Embora Deus castigue seu povo pelos pecados cometidos, Ele encoraja e restaura os que se arrependem. O verdadeiro arrependimento abre o caminho para um recomeço. O Deus de toda a graça ainda restaura o caído. Deus ainda cura a infidelidade do seu povo. Ele ainda se apresenta como orvalho para aqueles que vivem a aridez de um deserto. A mensagem de Oséias ecoa em nossos ouvidos. A palavra de Deus é sempre atual.

Ainda existe esperança para os que se voltam para Deus. Nenhuma lealdade, realização ou honra pode se comparar ao amor a Ele. Volte-se para o Senhor enquanto o convite ainda está de pé. Não importa o quanto você tenha se desviado, Deus sempre está disposto a perdoá-lo. É tempo de nos voltarmos para o Senhor!

2. O vale de Acor e a porta de esperança. Deus rejeita Israel: é este o vale de Acor. Deus reivindica Israel: esta é a porta da esperança. Deus transforma desespero em esperança - “E lhe darei, dali, as suas vinhas, e o vale de Acor por porta de esperança; será ela obsequiosa corno nos dias da sua mocidade, e como no dia em que subiu da terra do Egito”(Os 2:15,ARA). Deus descreveu seu argumento contra a nação de Israel; isto é, seus pecados a levariam à destruição (caps. 4, 6, 7 e 12), provocariam sua ira e resultariam em castigo (caps. 5; 8 a 10 ; 12 a 13). Mas, mesmo em meio à imoralidade de seu povo, Deus se mostra misericordioso, oferece-lhe a esperança como a expressão de seu infinito amor por Israel (cap. 11), e mostra-lhe que o arrependimento traria as suas bênçãos (cap. 14).

O vale de Acor foi o lugar na entrada da terra prometida onde Israel foi derrotado por Ai, em virtude do pecado de Acã (Js 7:24-26). Agora, Deus transforma o cenário de desespero, tribulação e derrota, o vale da inquietação, em porta de esperança. O vale de Acor é batizado por outro nome; em lugar de derrota e fracasso, despontam a esperança e a vitória. Assim Deus afugenta os fantasmas do passado de Israel.

3. A reconciliação. Deus transforma separação amarga em casamento permanente. A sentença de divórcio (Os 2:2) será anulada: “desposar-te-ei comigo para sempre” (Os 2:19). Essa aliança é eterna. Não haverá divórcio nesse casamento. É evidente que o tom deste texto é escatológico. Essa reconciliação terá seu ápice quando Cristo (o Messias) for reconhecido e aceito pela nação de Israel no Dia de sua vinda (Os 3:5).

O propósito divino era e é a recuperação de Israel, e seu elemento motivador era e é o seu amor. Deus queria o povo de volta, perdoaria, refaria o casamento, passaria uma borracha em tudo o que houve e se dispunha a amar com mais intensidade uma esposa que não valia a pena. Nessa nova aliança, a esposa conhece ao seu marido, o Senhor. “[ . . . ] e conhecerás ao Senhor” (Os 2:20b). Conhecer, neste caso, não significa a percepção de um objeto por um sujeito ou observador, mas, antes, o contato intimo e a comunhão que dois associados experimentam quando entre eles existe o verdadeiro amor. Esta é uma das promessas supremas da nova aliança com Israel – “Ainda te edificarei, e serás edificada, ó virgem de Israel! Ainda serás adornada com os teus adufes e sairás com o coro dos que dançam” (Jr 31:34). Esse conhecimento não será apenas teórico, mas experimental. Haverá intimidade, comunhão, lealdade e amor. Israel se deleitará em Deus, e Deus se deleitará em seu povo, Israel.

IV. O BANIMENTO DA IDOLATRIA EM ISRAEL

1. Meu marido, e não meu Baal. Deus transforma infidelidade em fidelidade - “E acontecerá naquele dia, diz o Senhor, que me chamará: Meu marido; e não me chamará mais: Meu Baal” (Os 2:16). Temos aqui um nítido tom escatológico. “Naquele dia”, aponta para o grande dia, o Dia do Senhor. Para nós, esse dia raiou no primeiro advento, embora só vá alcançar o seu pleno fulgor no segundo. Quando esse Dia chegar, em vez de Israel dirigir-se a Baal chamando-o de Baali, “meu senhor, meu mestre”, se dirigirá ao Senhor, chamando-o de ishi, “meu marido”. Nesse tempo, a infidelidade cessará, e a fidelidade a Deus será declarada. Esse será o tempo da restauração. É importante esclarecer que Baal não é propriamente o nome de uma divindade; é um termo genérico, significando “dono, senhor, possuidor, marido, mestre”.

Israel deixará o amante Baal, com quem vivia, e voltará para o esposo que a espera, Jeová. Baal era um título padrão para divindades, desde o litoral da Filístia até o vale da Mesopotâmia. Entretanto, foi Acabe quem, incentivado por sua ímpia esposa Jezabel, de Tiro, na Fenícia, tentou combinar o culto a Baal com a adoração a Deus, de forma que o primeiro veio a suplantar o segundo.

2. O fim do baalismo. “E da sua boca tirarei os nomes de baalins, e os seus nomes não virão mais em memória”(Os 2:17). A idolatria cega as pessoas. Israel chegou a consultar um pedaço de pau (Os 4:12). Aqueles que se entregam à idolatria, Deus os entrega ao engano de seus corações. Eles ouvem a resposta de seus ídolos mortos (Os 4:12b) para a sua própria destruição. Israel correu atrás dos ídolos, seus amantes, e atribuiu a eles as dádivas que vinham das mãos de Deus. Mas, no devido tempo, Deus restaurará Israel. Inteiramente purificado do culto a Baal, o povo se esquecerá dos “nomes dos baalins”.

Após a primeira diáspora o povo judeu já não mais pratica idolatria a ídolos, a ponto de serem dezenas, senão centenas os casos de martírios e genocídios de judeus, ao longo dos séculos, precisamente pela recusa terminante de adoração a outros deuses. Aliás, esta é a principal razão pela qual os judeus afirmam rejeitar a Jesus e ao Cristianismo, por entenderem que há, entre os cristãos, indevida divinização de Jesus e do Espírito Santo.

O “baalismo” praticado pelos israelitas desprezava a religião espiritual que o Senhor dos céus e da terra, o Redentor de Israel, exigia do seu povo. Essa religiosidade focada no material, na prosperidade financeira mais do que nas coisas espirituais, está de volta em nossos dias com outras roupagens. Nossa geração corre atrás da bênçãos, mas não quer o abençoador. Nossa geração anda atrás de coisas, e não de Deus. Ela está interessada no que Deus pode dar, e não em quem Deus é. Mas chegará o Dia em que, conforme Jeremias 10:11 e Zacarias 13:2, os ídolos desaparecerão da Terra.

3. A conversão de Israel. Após o período de provação, de perda das instituições políticas e religiosas (Os 3:4), Israel (entendido aqui não o reino do norte, mas o remanescente fiel das doze tribos), finalmente, converter-se-á ao Senhor e ao Seu Ungido, aqui chamado de Davi, na verdade, o Messias (Os 3:5). Israel ressurgiu enquanto nação politicamente organizada mas ainda tem de ressurgir espiritualmente, como reino sacerdotal peculiar de Deus (cf. Ex 19:5,6), o que somente se dará por ocasião da vinda gloriosa de Jesus ao término da Grande Tribulação (Zc 12:1-3; Ap 1:7;19:11-21).
A conversão de Israel é fato que ocorrerá somente no término da septuagésima semana de Daniel(Dn 9:24). Somente com esta conversão é que haverá a extinção da transgressão na nação israelita, em que Israel, enquanto povo escolhido de Deus, será libertado do pecado (cf. Rm 11:25-32;Is 59:20; Sl 14:7; Zc 13:1).

CONCLUSÃO

Assim como Gômer, corremos o risco de procurar outros amores — amor ao poder, ao prazer, ao dinheiro ou à fama. As tentações deste mundo podem ser muito sedutoras. Será que somos leais a Deus e permanecemos completamente fiéis a Ele, ou outros “amores” vieram ocupar seu legitimo lugar? Não deixe que os costumes mundanos diminuam seu amor por Deus, ou o sucesso cegá-lo para a necessidade de seu amor divino.

Lembre se, Deus não quer que o nosso relacionamento com ele seja constituído de palavras bonitas e de rituais vazios, de corações que se enchem de entusiasmo num dia e no dia seguinte estão frios. Um ritual superficial jamais pode substituir o amor sincero e a obediência fiel (l Sm 15:22,23; Am 5:21-23; Mq 6:6-8; Mt 9:13; 12:7).

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

William Macdonald – Comentário Bíblico popular (Antigo Testamento).

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

O Novo Dicionário da Bíblia – J.D.DOUGLAS.

Comentário Bíblico NVI – EDITORA VIDA.

Revista Ensinador Cristão – nº 52 – CPAD.

A Teologia do Antigo Testamento – Roy B.Zuck.

Comentário Bíblico Beacon, v.5 – CPAD.

O Grande Amor de Jeová Dr. Caramuru Afonso Francisco.

Oséias (o amor de Deus em ação) – Rev.Hernandes Dias Lopes.


Publicado no Blog do Luciano de Paula Lourenço




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Oséias - A Fidelidade no Relacionamento com Deus - Pb. José Roberto A. Barbosa

Texto Áureo: II Co. 11.2 - Leitura Bíblica: Os. 1.1,2; 2.14-17, 19,20

Prof. José Roberto A. Barbosa

www.subsidioebd.blogspot.com

Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO

O Deus da Bíblia não é uma simples força, ou uma máquina que não deseja se relacionar com os seres humanos. As Escrituras revelam um Deus que se revela, que falou e ainda fala (Hb. 1.1,2). Mas esse Deus é Espírito, e deve ser adorado como tal (Jo. 4.24). O livro do profeta Oséias, que será estudado na aula de hoje, nos instrui quanto a essa importante verdade. A princípio apontaremos os aspectos contextuais do livro, em seguida, a mensagem para aquele tempo, e ao final, sua aplicação para os dias atuais.

1. ASPECTOS CONTEXTUAIS

O propósito de Oséias é mostrar o amor de Deus pela nação israelita, ainda que essa estivesse em pecado. O nome de Oséias, que era filho de Beeri, significa “salvação” em hebraico. Sua mensagem foi destinada ao Reino do Norte (Israel), aproximadamente em 715 a. C., e narra fatos que aconteceram por volta de 753 a 715 a. C. O ministério profético de Oséias teve início ao final do próspero, mas decadente reinado de Jeroboão II. Há registros que as classes mais altas desfrutavam de prosperidade financeira enquanto que os pobres eram oprimidos. Sua profecia se estende até pouco tempo depois da queda de Samaria, em 722 a. C. O versículo-chave de Oséias é o bastante controvertido texto: “E o Senhor me disse: Vai outra vez, ama uma mulher, amada de seu amigo e adúltera, como o Senhor ama os filhos de Israel, embora eles olhem para outros deuses e amem os bolos de uvas” (Os. 3.1). Os estudiosos concordam que essa ordenança divina não orientava o profeta a se casar com uma mulher adúltera, mas com uma que iria tornar-se infiel ao profeta. Isso pode ser deduzido a partir dos nomes dos filhos de Oséias com Gômer, sua amada esposa. O primeiro, Jeezreel (Deus espalha), ao que tudo indica, teria sido filho de Oséias, mas não os demais: Lo-Ruama (não compadecida) e Lo-Ami (não meu povo), resultado dos relacionamentos pecaminosos de Gômer. Ademais, um profeta de Deus não poderia se casar com uma mulher adúltera, pois o Senhor havia proibido que os sacerdotes assim procedessem (Lv. 21.7). O livro apresenta a seguinte divisão: 1. O casamento de Oséias com Gômer (cap. 1); 2. O adultério de Gômer (cap. 2); 3. A restauração de Gômer por Oséias, a demonstração de amor fiel do esposo (cap. 3); 4. O adultério idólatra de Israel (caps. 4,5); 5. Israel se recusa a arrepender-se (caps. 6 a 8); 6. Israel é julgada por Deus (caps. 9,10) e 7. a restauração de Israel pelo Senhor amoroso e fiel (caps. 11 a 14).

2. A MENSAGEM DE OSÉIAS

O livro de Oséias revela o propósito de Deus de ter um relacionamento singular com o Seu povo Israel. Isso porque aquela nação se encontrava distanciada do Senhor, como Gômer, havia se tornado “uma esposa adúltera” (Os. 1.1-3). Ao invés de ser grata a Deus, por tudo que Ele havia providenciado (Os. 2.8), Israel preferiu ir após deuses estranhos. Como consequência, o Senhor haveria de tirar os benefícios que havia lhe dado (Os. 2.9-13) com o objetivo de atraí-la novamente para Ele (Os. 2.14). Apesar da infidelidade de Israel, a esposa, Deus, o esposo amoroso, não desiste (Os. 2.19-23). Do mesmo modo que Gômer tratou Oséias, Israel o fez com o Senhor, distanciando-se emocionalmente dEle, e deixando de levar o compromisso da aliança firmado a serio (Os. 3.1-3). O sofrimento de Deus, pela traição de Israel, é figurado na mensagem profética de Oséias (Os. 4.1-4). Ele identifica os pecados das nações, inclusive dos sacerdotes (Os. 4.5-11). A culpa precisa ser assumida, Deus chama a atenção para esse fato, caso contrário, o julgamento virá (Os. 4.8-15). O povo, ao invés de arrepender-se, busca pactos com nações vizinhas, a fim de obterem uma suposta segurança (Os. 6.8-18). Nem mesmo a religiosidade será capaz de evitar o julgamento, os sacrifícios para nada servem, apenas para ocultar a falta de contrição do povo (Os. 8.11-14). Por não se arrependerem, o povo de Israel irá para o cativeiro, na Assíria (Os. 9.1-9), as glórias do passado não serão contadas. Mas há ainda uma esperança, Deus julga, mas esse mesmo Deus que julga é também amoroso, e deseja relacionar-se com o Seu povo (Os. 11.1-4). Seu amor e paciência não têm fim, por isso, aqueles que decidirem seguir o Senhor serão renovados (Os. 12.14). A adoração a Baal resultou na morte espiritual de Israel (Os. 13.1-3), todavia, somente Deus é o Senhor (Os. 13.4-8). Israel deveria reconhecer essa verdade, e saber que o amor de Deus é livre e incondicional (Os. 14.4), e que somente este amor é capaz de transformar o povo (Os. 14.5-8).

3. PARA HOJE

A mensagem de Oséias tem tudo a ver com a realidade atual, inclusive nas igrejas evangélicas. O relacionamento prefigurado entre Oséias e Gômer tem conotação direta com o de Jesus e a Igreja (Ef. 5.27). Muitas igrejas evangélicas estão em situação de adultério espiritual. A Igreja, que antes era não povo, tornou-se povo de Deus, pela misericórdia do Senhor (I Pe. 2.10). Nas palavras áureas de Jo. 3.16, “Deus amou o mundo de maneira tal que deu Seu único Filho”. O amor - agape - de Deus é sacrificial, tal como Oséias, Ele não olhou para a condição deplorável do pecador (Rm. 5.8). Mas ao invés de reconhecer esse incomensurável amor, as pessoas, inclusive alguns da igreja, se distanciam do Senhor (Rm. 1.18-23). Eles negam a revelação que o próprio Deus deu de Si mesmo, e quando conhecem tal revelação, agem de modo contrário. Mas nestes dias, nos quais se dá muita ênfase à doutrina do amor de Deus, não podemos deixar de atentar para a Sua ira. Não esqueçamos que todas as coisas estão patentes aos olhos de Deus, e que deveremos prestar contas a Ele (Hb. 4.13). A misericórdia de Deus está disponível, mas os pecadores precisam demonstrar verdadeiro arrependimento (Lc. 18.13), O Senhor não admite um relacionamento morno, que nem é quente nem frio (Ap. 3.16). Diante da mensagem profética, devemos reconhecer que somos pecadores (I Jo. 1.8,9), e confessarmos a Cristo, a fim de obtermos perdão (I Jo. 2.1). Como nos antigos tempos, as iniquidades continuam separando as pessoas de Deus, colocando empecilhos para um relacionamento genuíno com Ele (Is. 59.2). Coloquemos, pois, diante da Palavra de Deus, ela continua afiada, penetrando na divisão da alma e do espírito, julgando os pensamentos e as atitudes do coração (Hb. 4.12).

CONCLUSÃO

Muitas igrejas já não sabem mais o que é relacionarem-se com Deus, conformaram-se totalmente com o mundo (Rm. 12.1,2). O ativismo, em algumas delas, serve apenas para ocultar a ausência de uma verdadeira intimidade com o Senhor. Tais igrejas precisam reaprender o caminho, e, ao invés de confiarem na autossuficiência, permanecerem em Cristo (Jo. 15.4-5). Essas igrejas, e os crentes individualmente, devem aprender o que realmente significa chamar a Deus de Pai (Mt. 6.9), amá-LO de todo coração e entendimento (Mt. 22.37; Mc. 12.30), a fim de que possam ter a fragrância de Cristo (II Co. 2.14,15) e produzirem frutos (Jo. 15.5,16).

BIBLIOGRAFIA BOICE, J. M. The minor prophets. Grand Rapids: Bakerbooks, 2006.

HUBBARD, D. A. Oséias: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1989

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